quinta-feira, 6 de março de 2014

Real deve perder fôlego, prevê Morgan Stanley

Resenha EB / Valor Econômico / José de Castro
06 Mar 2014

Após duas semanas de valorização que levaram a moeda a bater os maiores níveis em três meses, o real deve perder vigor daqui para a frente, uma vez que está "sobrevalorizado" e "vulnerável" a pressões de baixa derivadas de riscos domésticos e externos. Essa é a avaliação dos estrategistas de câmbio do Morgan Stanley, os quais consideram que o suporte à divisa brasileira será menor no curto prazo.

Em relatório divulgado na terça-feira, os profissionais consideram que a apreciação da moeda local nas últimas duas semanas de fevereiro foi impulsionada pela melhora na performance dos ativos de risco no exterior e no sentimento doméstico. Tais elementos tiveram seu efeito reforçado pela posição técnica do mercado, que estava ainda mais comprado em dólares e arcando com prejuízos devido ao elevado custo de carregamento dessa posição.

O real apreciou-se 1,75% ante o dólar entre 14 e 28 de fevereiro.

Os estrategistas do Morgan avaliam que um suporte adicional à moeda brasileira vindo da subida das taxas de juros parece menor daqui em diante, pois o Banco Central (BC) já sinalizou estar perto de encerrar o ciclo de aperto monetário. O BC elevou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na semana passada, para 10,75% ao ano, reduzindo o ritmo em relação às seis reuniões de política monetária anteriores, em cada uma das quais promoveu altas de 0,50 ponto.

Para o banco americano, os leilões diários do equivalente a US$ 200 milhões em swaps cambiais tradicionais têm tido impacto "marginal" e não visam defender um nível específico de taxa de câmbio. Os estrategistas lembram que a posição do BC em swaps junto ao mercado bateu US$ 85 bilhões, ou 22% do volume de reservas cambiais, no fim de fevereiro e deve chegar a US$ 100 bilhões até o fim de junho, de acordo com o cronograma de leilões.

O Morgan estima que o dólar terminará este primeiro trimestre em R$ 2,45, o que implicaria uma valorização nominal de 4,48% em relação à cotação de fechamento da última sexta-feira (R$ 2,3450). O banco prevê que a moeda americana encerrará junho em R$ 2,53, fechará o terceiro trimestre em R$ 2,65 e concluirá o ano em R$ 2,60. Para 2015, o Morgan prevê taxas de R$ 2,56, R$ 2,59, R$ 2,61 e R$ 2,65 para o fim de cada um dos trimestres.

Ao lembrar a deterioração no crescimento da China - principal parceiro comercial do Brasil -, evidenciada pela queda em índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) em fevereiro, o Morgan aponta que os PMIs da Coreia do Sul, da Hungria e do Brasil também recuaram no mês passado, enquanto o da Índia teve uma "forte" recuperação. Por isso, os profissionais do banco seguem favoráveis a posições vendidas em real contra a rúpia indiana "como uma forma de posicionamento a históricas domésticas divergentes".

Neste ano, o real tem alta de 1,10% ante a rúpia, fechando a sexta-feira em 26,44 rúpias.

Contra o dólar, o real acumula ganho nominal de 0,80% desde o início do ano.

O Morgan se diz "cauteloso" com números melhores que o esperado de crescimento e de inflação no Brasil divulgados no mês passado e vê riscos para uma decepção ao longo do ano. "A cautela parece justificável, já que o índice de difusão e o núcleo da inflação ainda mostram evidência de pressões nos preços, enquanto os números de crescimento confirmam o abismo presente entre o elevado consumo e o baixo investimento - sintoma de desequilíbrios estruturais e de uma restrição ao crescimento no longo prazo", afirmam os estrategistas. Eles ainda dizem estar atentos aos cortes orçamentários e à nova meta fiscal deste ano, que, embora classifiquem como "mais realistas", ainda estão sujeitos a "surpresas negativas".

O banco lembra ainda que a probabilidade de racionamento de energia tem crescido e implica risco adicional de baixa às estimativas de crescimento. Isso coloca o governo em um dilema entre maiores custos fiscais (por meio de subsídios) ou inflação mais elevada (pela transferência do custo ao consumidor).
http://www.eb.mil.br/web/imprensa/resenha?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-3&p_p_col_count=1&_56_groupId=18107&_56_articleId=4824715&_56_returnToFullPageURL=http%3A%2F%2Fwww.eb.mil.br%2Fweb%2Fimprensa%2Fresenha%3Fp_auth%3DLLKTX23y%26p_p_id%3Darquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d%26p_p_lifecycle%3D1%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3Dcolumn-3%26p_p_col_count%3D1%26_arquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d_mes%3D3%26_arquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d_ano%3D2014%26_arquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d_data%3D06032014%26_arquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d_javax.portlet.action%3DdoSearch#.UxiEKT9dX38

Nenhum comentário: