sábado, 8 de março de 2014

Maduro aciona Unasul

Resenha EB / Correio Braziliense / GABRIELA FREIRE VALENTE
07 Mar 2014

Presidente busca apoio dos demais governos sul-americanos, mas esbarra em resistências de "um ou dois". Violência prossegue e deixa mais três mortos, dois deles durante tiroteio em Caracas

O presidente Nicolás Maduro formalizou ontem o pedido de uma cúpula extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para tratar da crise política na Venezuela, depois de considerar "um ato de ingerência" o encontro do conselho permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizado ontem a portas fechadas. Embora Maduro tente reunir apoio regional, o presidente boliviano, Evo Morales, indicou que "não há consenso" entre os países que compõem a Unasul. Em meio à movimentação diplomática, autoridades da ONU pediram explicações sobre as prisões e o uso de força contra manifestantes durante a onda de protestos no país. Ontem, duas pessoas morreram, em Caracas, em um confronto entre adversários do governo e milicianos chavistas. Um líder opositor foi morto a tiros diante da sede do partido Avanço Progressista.

Maduro entregou o pedido de reunião do Conselho Presidencial da Unasul a Desi Bouterse, presidente do Suriname e líder temporário do grupo, a fim de expor "a verdadeira situação" na Venezuela. Os dois se encontraram em Caracas, onde Bouterse participara, na véspera, das homenagens que marcaram o primeiro aniversário de morte de Hugo Chávez.

Morales, que retornou à Bolívia depois de ter assistido às cerimônias, indicou que há dificuldades para concretizar a reunião da Unasul. Segundo o presidente boliviano, "um ou dois países" se opõem ao encontro, e o estatuto do grupo exige que os 12 membros estejam de acordo para que seja convocada uma cúpula de emergência. "Conversamos bastante com o presidente pro-tempore da Unasul, para que ele possa persuadir alguns presidentes, um ou dois, que não querem a convocação", explicou Morales.

O presidente venezuelano busca apoio dos parceiros sul-americanos enquanto rechaça iniciativas da OEA sobre a crise em seu país. Autoridades panamenhas receberam ontem o aviso de Caracas sobre o rompimento das relações diplomáticas, bem como a solicitação de retirada dos diplomatas. A medida foi uma retaliação de Caracas ao Panamá por ter solicitado a reunião do Conselho Permanente da organização pan-americana. Na avaliação de Thiago Ghere, especialista em relações Brasil-Venezuela da Universidade de Brasília, a ação de Caracas está de acordo com um padrão do governo chavista nos momentos de crise. "Maduro tenta dar uma resposta à sociedade venezuelana e à comunidade internacional, de que tem o controle do país e dirige seus ataques a inimigos externos."

Segundo o jornal venezuelano El Universal, a Costa Rica assumiu a responsabilidade pelos trâmites consulares entre os dois países. Em Caracas, o chanceler Elías Jaua informou que está suspensa a revisão da dívida de sua nação com o Panamá. Por sua vez, o presidente panamenho, Ricardo Martinelli, garantiu que não haverá mudanças "na política migratória e nos investimentos favoráveis aos venezuelanos".

Mortes

O número de vítimas nos distúrbios que afetam a Venezuela desde fevereiro subiu para 21. Um soldado da Guarda Nacional Bolivariana e um militante chavista foram mortos em um tiroteio. O confronto teria começado quando moradores de Los Ruices, nos arredores de Caracas, levantavam barricadas nas ruas. Um grupo com cerca de 500 milicianos pró-governo teria tentado desfazer o bloqueio, provocando a troca de tiros. Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional, atribuiu as mortes a franco-atiradores oposicionistas, que estariam no alto dos prédios. Na cidade de Barquisimeto, no estado de Lara, o líder opositor Héctor Alzaul Planchart morreu depois de ter sido baleado no peito, diante da sede do partido Avanço Progressista.

Imprensa sob ataque

Um tribunal de Caracas aceitou ontem o pedido do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, de abertura de processo judicial por difamação contra o jornalista Carlos Genatios e os diretores da empresa proprietária do jornal TalCual. Cabello acusa a publicação de ter "mentido descaradamente" sobre algo que ele "jamais disse". O jornal atribuiu ao presidente da Assembleia uma declaração em que ele teria afirmado que "os que não gostam da insegurança", um dos principais problemas da nação, deveriam "partir" da Venezuela. Segundo a publicação, Cabello teria feito a afirmação em sua página no Twitter, em janeiro passado. Segundo o artigo 442 do Código Penal venezuelano, a difamação via documento escrito e difundido de forma pública pode render pena de dois a quatro anos de prisão.
http://www.eb.mil.br/web/imprensa/resenha?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-3&p_p_col_count=1&_56_groupId=18107&_56_articleId=4827970&_56_returnToFullPageURL=http%3A%2F%2Fwww.eb.mil.br%2Fweb%2Fimprensa%2Fresenha%3Fp_auth%3DDFFs8w2N%26p_p_id%3Darquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d%26p_p_lifecycle%3D1%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3Dcolumn-3%26p_p_col_count%3D1%26_arquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d_mes%3D3%26_arquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d_ano%3D2014%26_arquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d_data%3D07032014%26_arquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d_javax.portlet.action%3DdoSearch#.UxrXjz9dX38

Nenhum comentário: