sábado, 8 de março de 2014

'Dívida brasileira é menos vulnerável'

Resenha EB / Valor Econômico / Sergio Lamucci
07 Mar 2014

Em estudo divulgado na quarta-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) que mapeia detentores da dívida pública de 24 países emergentes e aponta os riscos a uma parada súbita de capitais privados, o Brasil aparece em situação confortável. Com uma fatia pequena do seu endividamento nas mãos de estrangeiros, o país está fora do lista das economias que seriam mais atingidas caso o investidor externo privado parasse de financiar ou passasse a vender papéis da dívida emergente. No momento em que os Estados Unidos reduzem o estímulo monetário, essa questão ganha importância.

O Brasil tem condição menos tranquila quando se analisa a exposição de bancos locais à dívida governamental, o que pode implicar riscos à estabilidade financeira. Ainda assim, não está entre os países em que esse perigo é maior, como Argentina, Egito e Índia, onde os papéis soberanos representam mais de 20% dos ativos das instituições financeiras domésticas. O país está num grupo em que essa exposição é "relativamente alta", acima de 15%, que inclui China, Hungria, Filipinas, Romênia e Turquia.

Economistas do departamento monetário e de mercado de capitais do FMI, Serkan Arslanap e Takahiro Tsuda fizeram três cenários em que examinam os efeitos de um "choque de financiamento soberano". No primeiro, o estrangeiro mantém a exposição ao país, rolando integralmente os papéis que vencem em um ano, mas sem oferecer financiamento adicional ao governo. Nesse caso, a maior parte dos países parece resistente. "Para todos, com exceção de Egito, Lituânia e Polônia, as compras dos bancos domésticos necessárias para fechar as necessidades de financiamento do governo não seriam maiores do que 3% dos ativos dessas instituições", escrevem.

No segundo cenário, o estrangeiro rolaria só 50% da dívida com vencimento em um ano e o impacto seria mais espalhado. "Além dos países mencionados acima, Argentina, Hungria, México e Ucrânia poderiam se tornar mais sensíveis à saída de capitais", diz o estudo.

No terceiro, o investidor externo venderia 30% de seus papéis de longo prazo denominados em moeda local. "Isso é um quadro grave, amplamente baseado num episódio histórico da crise de 2008", observam. A lista incluiria Indonésia, África do Sul, Turquia e Uruguai. Os bancos domésticos desses países e dos citados nos outros cenários poderiam ter de realocar mais de 3% de seus ativos para a dívida pública num único ano.

No segundo trimestre de 2013, só 11,8% da dívida pública brasileira estava nas mãos de investidores estrangeiros privados. Na Polônia, essa fatia superava 40%.

"Pelas nossas estimativas, meio trilhão de dólares em investimento estrangeiro entrou em títulos dos governos de mercados emergentes apenas entre 2010 e 2012, a maior parte vindo de instituições financeiras estrangeiras não bancárias, como grandes investidores institucionais, hedge funds e fundos soberanos. Esses investidores detêm cerca de US$ 800 bilhões dessa dívida - 80% do total - no fim de 2012", escrevem. Eles também calculam que bancos centrais estrangeiros têm de US$ 40 bilhões a US$ 80 bilhões desses débitos, concentrando-se em sete países: Brasil, China, Indonésia, Polônia, Malásia, México e África do Sul.

Parte dessa entrada de recursos está relacionada à melhora da administração da dívida pública, além de ser influenciada pela política de juro próximo de zero nos países avançados. Os países em desenvolvimento conseguiram alongar a dívida, reduzir a parcela de débitos a taxas flutuantes e diminuir a fatia em moeda estrangeira. Os economistas dizem que é importante examinar os custos e benefícios da presença do estrangeiro no mercado de dívida. De um lado, ajuda a reduzir custos e a dividir o risco de modo mais amplo; de outro, aumenta o risco caso haja reversão nos fluxos de capitais.

O trabalho também diz que uma fatia elevada da dívida pública nas mãos de bancos domésticos pode ser um risco à estabilidade financeira doméstica. "Durante a turbulência da dívida na zona do euro, bancos locais em vários países se tornaram compradores significativos de débitos dos governos quando os investidores estrangeiros saíram do mercado", dizem, observando que isso compensou parte da pressão sobre os juros dos títulos.

No entanto, o fato de os bancos passarem a deter uma parcela crescente da dívida pública coloca outro risco: o perigo para a estabilidade financeira doméstica decorrente de uma forte interdependência entre balanços soberanos e das instituições financeiras domésticas. Os bancos brasileiros têm exposição "relativamente alta" à dívida do governo, avaliam os autores.
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