sábado, 8 de março de 2014

Coronéis se rebelam contra a repressão

Resenha EB / O Globo
07 Mar 2014

Membros da guarda nacional bolivariana teriam recusado ordem para reforçar ação contra manifestantes

Num dia em que ao menos duas mortes foram registradas em enfrentamentos na capital e as críticas internacionais à violência sistemática do Estado ganharam força, o governo da Venezuela se deparou com um novo problema - insubordinação. Segundo fontes próximas às Forças Armadas, três coronéis da Guarda Nacional Bolivariana estão sendo investigados por se recusarem a cumprir as ordens de um superior para aumentar a repressão contra manifestantes na cidade de Valencia, capital do estado de Carabobo. Uma ordem de prisão já foi emitida contra o trio, que chegou a ser detido, mas conseguiu fugir com a ajuda de colegas.

Valencia, sede da chamada Regional 2, um centro logístico e de operações da Guarda Nacional, é uma das cidades com mais denúncias de violações de direitos humanos nas ruas e, ainda, nas cadeias. E os casos de insubordinação militar estariam crescendo nas últimas semanas, à medida que as manifestações conseguem atrair um número maior de simpatizantes das camadas mais populares, velhos redutos do chavismo.A violência, porém, continua nas ruas. Ontem um policial e um mototaxista morreram baleados em uma nova manifestação em Los Ruices, no Leste de Caracas . No estado de Lara, o político opositor Héctor Alzaul Planchart também morreu baleado ao sair do comitê de seu partido, mas ainda não há relação provada entre sua morte e a onda de manifestações antigoverno.

O presidente Nicolás Maduro disse que os responsáveis pelas mortes são "assassinos que não ficarão impunes", mas não deu sinais de abertura ao diálogo. Após criticar a reunião extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a crise, Maduro tampouco deu resposta à carta enviada pela ONU cobrando uma investigação dos casos de agressão contra manifestantes e jornalistas.

Manifestantes pedem ação de Dilma

O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP) acusou o governo pela agressão, prisão ou roubo de 89 profissionais de imprensa desde a eclosão dos protestos antigoverno no mês passado. E ontem, a cruzada contra a imprensa ganhou mais um episódio: um tribunal de Caracas aceitou uma ação do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, contra um articulista e dois proprietários do jornal opositor "TalCual", acusados de difamação, um crime cuja pena varia de dois a quatro anos de prisão. A origem da ação estaria num artigo do jornalista Carlos Genatios, que reproduzira uma declaração de Cabello - que acabara desmentida pelo próprio depois. Já o diário gratuito "Primera Hora", do grupo "El Nacional", deixou de circular em Caracas após oito anos devido à escassez de papel.

Além dos níveis de repressão, especialistas alertam, ainda, para o isolamento internacional da Venezuela, que em menos de um mês já protagonizou diversos embates - cortou relações diplomáticas com o Panamá, expulsou três diplomatas americanos por ingerência interna e chegou a responsabilizar o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe pela crise.

- A política externa é a continuação da interna em qualquer Estado. Se temos um país totalmente em convulsão política, econômica ou militar, a política externa não pode produzir nada coerente - disse Giovanna De Michele, da Universidad Central de Venezuela (UCV).

Dezenas de manifestantes levaram cartazes à Embaixada do Brasil em Caracas para pedir que a presidente Dilma Rousseff se pronuncie sobre os protestos e a repressão na Venezuela. A deputada opositora Maria Corina Machado entregou à representação diplomática uma carta solicitando um posicionamento brasileiro. E o protesto, disse ela, será repetido em embaixadas de diversos países latino-americanos nos próximos dias.
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