sábado, 8 de março de 2014

Ata do Copom reforça aposta em nova alta de juros em abril

Resenha EB / O Globo / Gabriela Valente
07 Mar 2014

Economistas preveem aumento da taxa Selic para 11% ao ano

Apesar de começar a ver na prática os efeitos da alta dos juros iniciada há quase um ano, o Banco Central (BC), presidido por Alexandre Tombini, decidiu continuar a elevar a taxa básica (Selic) para se manter "vigilante" em relação à inflação que persiste no Brasil. Na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada ontem, o BC deixou a porta aberta para continuar a subir os juros, apesar de previsões melhores para a inflação e do dólar mais baixo, que alivia os preços no país. A aposta dos analistas é que haverá pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto percentual no encontro do colegiado no mês que vem.

"O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos 12 meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária", diz o documento.

Na semana passada, o BC subiu a Selic em 0,25 ponto percentual: a metade da dose usada nas últimas seis elevações. Assim, os juros passaram de 10,5% para 10,75% ao ano, mesmo patamar de quando a presidente Dilma Rousseff assumiu o mandato, em 2011.

Inflação ainda mostra resistência

Segundo a ata, os cálculos feitos pelos técnicos do Banco Central mostraram que as projeções para a inflação ficaram estáveis depois de uma longa sequência de altas. Ou seja, o remédio ministrado desde abril do ano passado começou a apresentar resultados. As novas estimativas mostraram que, se a Taxa Selic continuasse em 10,5% ao ano, a previsão para o IPCA ficaria estável. Com isso, o BC mostrou que poderia reduzir o ritmo de alta.

A previsão para o ano que vem também começou a cair, mas ainda estava acima da meta. O objetivo do governo para os dois anos é de 4,5% com uma margem de tolerância de dois pontos.

"O Copom pondera que, não obstante moderação observada na margem, a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos 12 meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência, que, a propósito, tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava", diz a ata. "Faz-se necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido. Dessa forma, o Copom entende ser apropriada a continuidade do ajuste das condições monetárias ora em curso."

- A ata foi boa por ser realista. O BC reconhece que a inflação mostra resistência e ainda há risco - avaliou o economista-chefe da Votorantim Wealth Management, Fernando Fix, que espera mais uma alta em abril, mas não descarta outros apertos depois.

Para Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú e ex-diretor do BC, a ata reforçou sua expectativa de só mais uma alta de 0,25 ponto percentual na próxima reunião. "A ata ressalta que oferta e demanda agregadas estão se aproximando, que a projeção para 2015 recuou e que os efeitos do aperto monetário são cumulativos. Estes são, a nosso ver, elementos que sugerem que o ciclo de alta de juros não deve se prolongar muito além da próxima reunião do Copom."

A estimativa do mercado é que o IPCA, índice oficial de inflação, feche 2014 em 6%. Ele está em 5,59% nos últimos 12 meses. A meta é de 4,5%, com uma margem de tolerância de dois pontos percentuais. A estimativa para 2015 é de 5,7%. Por essa persistência, o BC reforçou o aviso.
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