quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Violência no DF reflete falência das políticas no continente

Resenha EB / Correio Braziliense / Ari Cunha
04 Fev 2014

Visto, lido e ouvido

Para o cidadão brasiliense, fica difícil entender como é possível que a polícia mais bem paga do país ameace a população com o não atendimento a pedidos de socorro. A dificuldade é explicada pelos altos custos das taxas e dos impostos cobrados.

O atendimento para casos de urgência, a passos de tartaruga, equivale, no Judiciário, à Justiça tardia; ou, no caso dos hospitais, à negligência médica. Os professores também se acham com razão de pensar em greve. Afinal, ganham menos que um policial. Mais escolas, menos cadeias, já dizia o filósofo de Mondubim. Os médicos fazem greve branca nos postos de saúde há muito tempo. O transporte público também está em greve branca, com horários indefinidos e demora insuportável. E os brasileiros mal assistidos na educação, na saúde, na segurança e nos transportes, resignados, aqui e ali fazem um movimento que as autoridades teimam em fingir que não percebem. De qualquer forma, o cidadão fica desprotegido ou mesmo ameaçado por quem lhe deve atenção.

Difícil compreender como é possível a capital do país ficar à mercê da bandidagem, que age à luz do dia, a poucas quadras de um posto policial. Brasília chegou a registrar mais de 70 homicídios em um só mês. Pior é o governador vir a público e afimar que tudo está sob controle. Não está. São mais de15 mil políciais militares devidamente listados na folha de pagamento que, no fim do mês, a mando do sindicato, vão em passos de lebre buscar seus vencimentos.

De uma certa forma, essa categoria, armada pelo Estado e corporativista, fica livre da violência que assola a cidade. O restante da população que vá se queixar ao bispo. A violência no DF reflete a falência das políticas adotadas nessa área em todo o continente. Nesse pêndulo entre a ditadura e a liberdade conquistada, há nitidamente a impressão de que os governantes querem fazer da tão almejada democracia uma baderna. Abriram a mão do mando, do planejamento e do exemplo. Ordem faz bem. Os países organizados deram exemplos de como se recuperar depois de uma crise.

A América Latina é hoje a região mais violenta do mundo, com níveis de assassinatos rotulados como epidêmicos. Segundo estudo elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o continente não prioriza a segurança entre os itens básicos da vida das populações. A consequência direta dessa desatenção é a eternização do subdesenvolvimento.

Para a administradora do estudo, Helen Clark, "sem paz não pode haver desenvolvimento". Basta observar como a paz é alcançada nos países desenvolvidos. Da responsabilidade do Estado com a população carcerária até o atendimento às vítimas da violência. O estudo revela que, nos últimos 10 anos, quando a região deu uma guinada em direção a governos populistas, dito de esquerda, houve um aumento da violência da ordem de 11%. Neste período, mais de 1 milhão de pessoas foram assassinadas, sendo que os roubos e furtos triplicaram. A cada dia, no continente, 460 pessoas são vítimas de violência sexual, diz o estudo. Não é por outro motivo que a região é também campeã em impunidade. O caos no sistema carcerário é comum, ainda, em toda a América Latina, como é corriqueiro também o aumento das empresas que prestam segurança privada. Outro ponto do estudo que chama a atenção no trabalho de pesquisa é que, entre os crimes analisados, se destaca o "delito aspiracional", que é o crime cometido pela perspectiva de obtenção de objetos caros consumidos pelas classes com maiores rendas e que, no Brasil, foi impulsionado graças à política econômica focada apenas no crescimento do consumo, sem outras qualidades mais profundas e duradouras. (Circe Cunha)

A frase que foi pronunciada:

"Eu sou contra a violência porque parece fazer bem, mas o bem só é temporário; o mal que faz é que é permanente."

Mahatma Gandhi
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