sábado, 22 de fevereiro de 2014

Rombo de US$ 11,6 bi nas contas externas é o maior desde 1947

Resenha EB / O Globo / Gabriela Valente
22 Fev 2014

Mais remessas de lucro, menos investimento e argentina puxam déficit

BRASÍLIA. Com a balança comercial no vermelho e às voltas com os problemas na Argentina, as contas externas brasileiras tiveram o maior rombo da história: US$ 11,6 bilhões em janeiro. É o pior resultado mensal desde 1947, quando o Banco Central (BC) começou a registrar os dados. Ficou acima da projeção do próprio governo, de US$ 11 bilhões, porque as filiais de multinacionais remeteram mais lucros e dividendos para as matrizes no exterior. Para piorar, os investimentos não cobrem nem de longe o déficit, deixando o país cada vez mais dependente de capitais voláteis.

- Ainda é cedo para avaliar o comportamento do ano - esquivou-se o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, quando indagado se a projeção de um déficit de US$ 78 bilhões não era ilusória.

GASTO NO EXTERIOR DIMINUIU

Maciel disse que as remessas de lucros e dividendos aumentaram 21% em janeiro, quando chegaram a US$ 2,5 bilhões, devido à percepção das empresas em relação ao dólar. Como os empresários esperam uma apreciação do real para enviar recursos (porque compram mais dólares com esse dinheiro), um crescimento dessa magnitude nas remessas poderia indicar que as empresas apostam que a moeda americana continuará a subir.

Nem mesmo o freio nos gastos dos brasileiros com viagens internacionais ajudou. Essas despesas foram de US$ 2,1 bilhões em janeiro: 8% a menos que no mesmo mês do ano passado. A alta do dólar e a elevação do IOF desanimam quem quer passar férias fora do país. Já os investimentos estrangeiros diretos não cobriram nem a metade do rombo nas contas externas. Os estrangeiros enviaram US$ 5,1 bilhões para o Brasil em janeiro.

Para o economista-chefe da NGO Corretora, Sidney Nehme, sem recursos suficientes do exterior (investimentos) para cobrir o rombo, aumenta a necessidade de financiamento.

A crise na Argentina é outro obstáculo, e o setor automotivo é o que mais sofre. Em 2005, o país vizinho comprava cerca de 30% de tudo o que as indústrias exportavam. Em 2013, esse percentual chegou a 80%. Isso ocorreu porque os dois países se aproximaram e as fábricas dividiram a produção entre os vizinhos.

- É como se o Brasil fosse uma província da Argentina e a Argentina fosse um estado brasileiro. Queremos uma solução 'ganha-ganha', mas hoje estamos no 'perde-perde'- afirmou o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan.
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