segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Google 'monopoliza' cientistas de inteligência artificial

Folha de São Paulo / TEC / YURI GONZAGA
03/02/2014 03h25

DE SÃO PAULO

Os gigantes da internet querem ter todos os cérebros, principalmente os artificiais.

Na semana passada, a start-up de inteligência artificial DeepMind anunciou sua aquisição pelo Google, confirmando uma agressiva iniciativa da gigante para concentrar cientistas da área.

Antes da divulgação do negócio, estimado em US$ 500 milhões, um executivo do Google disse que a empresa concentrava "não mais que 50% e não menos que 5%" dos principais especialistas em "deep learning", interpretação mecânica avançada.

"O 'deep learning' ajuda o Google a reconhecer fala no Android e objetos nas fotos de usuários no Google+", disse por e-mail à Folha Geoffrey Hinton, pesquisador na empresa americana.

Hinton, que é professor da Universidade de Toronto e é especializado em redes neurais (cluster de computadores que mimetiza um sistema nervoso), diz que decifrar cérebros de animais, como já está sendo tentado por cientistas de um campo conhecido como "conectômica".

Para se ter uma ideia do que são capazes as redes neurais do Google hoje, a empresa divulgou um estudo em que diz que pode, a partir das fotos do Street View, reconhecer todos os números de casas na França em uma hora.

Em 2012, a companhia contratou Ray Kurzweil, considerado um dos principais nomes da inteligência artificial, conhecido pela teoria da singularidade; em dezembro último, comprou a Boston Dynamics, de robôs autônomos.

FACEBOOK

Assim como o Google, a maior rede social do mundo quer entender tudo o que é postado por seus usuários por meio de máquinas. Em setembro do ano passado, anunciou que um grupo de oito cientistas se focava só em "deep learning" na empresa.

Na semana passada, Mark Zuckerberg disse que a inteligência artificial vai "transformar o Facebook" durante os próximos cinco anos, sendo usada para transcrever áudio trocado entre usuários e interpretar fotos.

"Valor de verdade será criado se entendermos todo o conteúdo."

Outras empresas que investem pesado em inteligência artificial são IBM e Microsoft.

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TECPÉDIA

SINGULARIDADE

Tese que prevê a criação de uma consciência artificial, com computadores múltiplas vezes mais capazes que o cérebro humano, em todas as faculdades. O domínio nos diversos campos da ciência, como nanotecnologia, robôs e neurociência será tamanho que "egos imortais" podem existir, preveem defensores.

REDE NEURAL

Computadores ligados de tal maneira que funcionam como um sistema nervoso de um animal. Técnica usada para reconhecimento de padrões e interpretação de conteúdo.

FUTUROLOGIA

Campo interdisciplinar que faz previsões, geralmente relacionadas à tecnologia.


http://www1.folha.uol.com.br/tec/2014/02/1405907-google-monopoliza-cientistas-de-inteligencia-artificial.shtml

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