quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Cubana que deixou Mais Médicos pede visto para os Estados Unidos

Resenha EB / Folha de São Paulo / MÁRCIO FALCÃO, MARIANA HAUBERT, FLÁVIA FOREQUE, JOHANNA NUBLAT E FERNANDA ODILLA
06 Fev 2014

Além de refúgio no Brasil, desertora de programa tenta visto americano para não voltar a Cuba

'Fiquei sabendo que fomos enganados', disse médica, que foi albergada na liderança do DEM na Câmara

DE BRASÍLIA

Além de pedir refúgio ao governo brasileiro, a cubana que abandonou o programa Mais Médicos nesta semana afirmou já ter procurado a embaixada dos EUA em Brasília em busca de visto para não ter que voltar a Cuba.

"Fui à embaixada dos Estados Unidos e apresentei meus papéis", contou à Folha Ramona Matos Rodriguez, que foi albergada anteontem na liderança do DEM na Câmara, onde dormiu em um sofá.

Ontem, a médica que desistiu do programa do governo Dilma Rousseff (PT) saiu do Congresso para passar a noite na casa do deputado Abelardo Lupion (DEM-PR).

A Folha apurou que a representação diplomática americana pediu um tempo para responder ao pedido. Ela não se manifestou à reportagem.

Desde 2006, os EUA oferecem um visto específico para médicos --ofertado aos cubanos que estejam estudando ou trabalhando em missão num terceiro país e que não tenham "quaisquer inelegibilidades" para a admissão.

No ano passado, cerca de 4.000 profissionais já haviam obtido esse documento. O número inclui médicos que trabalhavam na Venezuela, que firmou convênio com Cuba.

Apesar de ter procurado a embaixada americana, Ramona disse também ter esperança de obter abrigo no Brasil e poder continuar trabalhando como médica. Afirmou que faria a revalidação do diploma para poder atuar.

O DEM entregou ao Conare (Comitê Nacional para os Refugiados) um pedido de refúgio ao Brasil, que pode levar meses para ser avaliado.

Anteontem, os deputados que abrigam a médica avaliavam um eventual pedido de asilo. Mas, após conversa com José Eduardo Cardozo (ministro da Justiça), entenderam que seria mais seguro pedir refúgio para garantir a regularidade da médica no Brasil --algo que ocorre assim que esse pedido é feito.

O refúgio é previsto em convenção da ONU para casos de perseguição por motivos religiosos, raciais, de nacionalidade, de grupo social e de opiniões políticas, além de conflitos armados. Já a concessão do asilo é decisão mais política, que cabe ao Executivo (não há legislação internacional).

Ramona chegou ao país em outubro do ano passado e estava lotada em Pacajá (Pará).

A médica afirmou que decidiu procurar o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) depois que soube que a Polícia Federal tinha sido acionada para encontrar informações sobre seu paradeiro após ter ido para Brasília.

Ela disse que decidiu abandonar a cidade do Pará, no sábado, e seguir para a capital federal porque descobriu que o valor de R$ 10 mil pago pelo governo brasileiro a outros estrangeiros era muito superior ao que ela recebia.

Segundo Ramona, ela recebia US$ 400 por mês e mais US$ 600 eram depositados em uma conta em Cuba.

'ENGANADOS'

A cubana disse achar que a atitude dela pode incentivar outros médicos. "É preciso ter coragem, como eu tive."

Afirmou temer pela segurança de sua família. "Temo pela minha vida. Se neste momento for para Cuba, vou estar presa", afirmou a médica.

"Em Cuba eu não tinha internet e aqui tem muita informação. Então, fiquei sabendo que fomos enganados."

Principal vitrine eleitoral de Dilma, o Mais Médicos visa aumentar a presença desses profissionais no interior do país, permitindo a atuação sem diploma revalidado no Brasil. Há hoje 7.400 cubanos selecionados.

O ministro da Justiça disse que a médica está regular no país e "não está sendo procurada pela Polícia Federal, não está sendo investigada e não há nenhuma medida em curso".
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