domingo, 2 de fevereiro de 2014

Crise de emergentes segura o PIB

Resenha EB / Correio Braziliense / ROSANA HESSEL
02 Fev 2014

O país poderá crescer menos de 1% em 2014 se a turbulência que atinge nações em desenvolvimento se prolongar até o fim do ano. Perda da credibilidade do governo ajuda a afastar investidores

A recente turbulência nos mercados emergentes não tem poupado o Brasil. Para membros do governo, a crise é somente externa e passageira. Mas especialistas destacam que há muitos ingredientes internos que entornam esse caldo e minam confiança dos investidores nacionais e estrangeiros na economia do país.

Ainda que não possam ser totalmente contabilizadas, porque dependem do tempo que a turbulência durará, as perdas para a economia brasileira serão inevitáveis. Em um exercício para dimensionar o impacto da crise, o professor de administração pública da Universidade de Brasília José Matias-Pereira estima que, se o cenário continuar se agravando, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 pode alcançar, no máximo, 1%. No entanto, ele poderá ficar próximo de zero, se a situação piorar e as dificuldades se estenderem pelo ano todo.

"O contexto atual não está bom para nenhum país emergente. A tendência é de alta nos juros e isso deverá frear a atividade. No Brasil, o cenário interno também não é favorável. A economia está desprotegida e despreparada para uma crise mais prolongada. Por isso, a situação é preocupante", afirma Matias-Pereira.

As expectativas são de desaceleração econômica no país, apesar da Copa do Mundo e dos projetos de concessão em infraestrutura, o que desestimula investidores estrangeiros e nacionais. As estimativas mais recentes do mercado apontam uma expansão do PIB de 1,9%, conforme o boletim Focus do Banco Central da última segunda-feira. Esse percentual está abaixo do avanço previsto para 2013, de 2% a 2,2%.

"A capacidade de investimento tende a cair porque o custo do capital está ficando mais alto, já que os juros estão subindo e continuarão em patamares elevados. Com esse crédito mais caro, os investimentos de menor retorno, como os de infraestrutura, serão inevitavelmente postergados tanto na esfera pública quanto na privada", explica o economista e professor de Finanças da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ) Euchério Lerner Rodrigues.

"Falta um plano de metas consistente para melhorar a credibilidade do governo no mercado, mas não há expectativa de que isso ocorrerá em um ano de eleição. A política vai ser a prioridade, vai ficar acima da questão econômica. Os investidores sabem disso porque isso é uma característica de qualquer governo, infelizmente", acrescenta o professor da FGV.

Na avaliação do coordenador de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas, Armando Castelar, a instabilidade nos mercados emergentes resulta de fatores internos e externos. No plano internacional, o impacto vem da menor oferta de dólares por conta da redução do programa de estímulos monetários dos Estados Unidos. Com isso, investidores que antes olhavam para os emergentes estão, agora, voltando a atenção para países avançados. Mas problemas domésticos também pesam.

No caso do Brasil, a perda de credibilidade avança devido à piora da situação macroeconômica e da desaceleração da economia. Pelas estimativas do Ibre, o PIB brasileiro terá uma expansão de 1,8% neste ano, abaixo da média mundial. "É improvável o país avançar mais. Os juros estão subindo e isso encarece os investimentos. A economia atravessa uma situação complicada e o investidor não se anima com a expectativa de baixo crescimento", diz Castelar. Na avaliação dele, a confiança se enfraquece também porque o governo não persegue com afinco metas como o controle da inflação.

"O governo está acuado e não sabe para onde se movimentar. Tudo o que ele quer neste momento é jogar uma cortina de fumaça sobre a realidade. Mas, se isso ocorrer, o país terá de pagar um preço muito alto em 2015", avalia Castelar, lembrado que o cenário externo, hoje, não é o céu de brigadeiro que foi no governo Lula. Ele observa que os juros do Brasil, em termos reais, estão em 7%, patamar parecido com o da Grécia, país que ainda enfrenta uma crise de grandes proporções e já suspendeu pagamento aos credores.
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