quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Cadeia aeroespacial não deslancha no país

Resenha EB / Valor Econômico / Virgínia Silveira
13 Fev 2014

O Brasil abriga a terceira fabricante de aviões mais importante do mundo, mas as pequenas e médias empresas do setor aeroespacial do país ainda estão fora da cadeia global de valor de aeronaves comerciais, um mercado que movimenta receitas da ordem de US$ 130 bilhões, segundo dados referentes a 2010.

A constatação faz parte de um estudo encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), sobre "a indústria brasileira e as cadeias globais de valor". Os dados apresentados no estudo foram apurados entre o fim de 2012 e março de 2013.

O documento, elaborado por pesquisadores da Universidade de Duke e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos, afirma que a base de clientes das pequenas e médias continua concentrada na Embraer, cujas atividades respondem por cerca de 90% do volume de negócios do setor.

De acordo com a pesquisa, tendo em vista a pouca competência tecnológica dos seus fornecedores, a Embraer importa de 60% a 90% da peças e componentes usados em suas aeronaves.

Segundo o estudo, a maioria das 150 empresas que compõem o setor aeroespacial brasileiro apresenta dificuldades de inserção porque não desenvolveu capacidades de pesquisa, projeto e fabricação, além de carecerem dos recursos financeiros necessários para diversificar seus mercados. Destas, apenas 27 têm capacidade de engenharia e projeto.

Procurada, a Embraer informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que sempre esteve empenhada no desenvolvimento de fornecedores nacionais. A empresa garante que tem contribuído para que os fornecedores possam atender aos padrões de excelência e competitividade exigidos para inserção na cadeia global.

A fabricante brasileira de aviões destacou a realização do Programa de Desenvolvimento de Fornecedores que, nos últimos três anos, promoveu mais de 2 mil horas de treinamento para 107 empresas, incluindo fornecedores de produtos e serviços não ligados diretamente à cadeia. Comentou ainda que segunda fase do programa, voltada às lideranças de 60 fornecedores da cadeia aeronáutica, encontra-se em desenvolvimento.

O treinamento, ainda segundo a Embraer, leva para os fornecedores práticas que a empresa já adota para melhorar sua própria performance, por meio do Programa de Excelência Empresarial Embraer (P3E).

As exportações aeroespaciais brasileiras, por sua vez, somaram cerca de US$ 5 bilhões em 2010, mas 80% desse valor vieram de aeronaves acabadas e o restante da exportação de peças e equipamentos. Grande parte do trabalho de projeto conceitual e preliminar para produtos da Embraer é realizada por seus parceiros de risco, que em sua maioria são fornecedores globais sediados em países industrializados.

"Os parceiros da Embraer trazem fornecedores com certificação internacional, um dos principais entraves para as nossas empresas neste setor, pois exige um alto investimento", afirma Renato da Fonseca, gerente executivo de pesquisa e competitividade da CNI. A falta de escala, diz, é outro fator que dificulta a inserção dessas empresas na cadeia aeronáutica mundial.

O estudo da CNI sugere que o governo adote uma nova abordagem de política industrial, focada no desenvolvimento de escala, na diversificação de mercados e em permitir que empresas brasileiras tenham acesso a importações de padrão mundial.

Fonseca acredita que, ao melhorar a competitividade dessas empresas, elas poderão aproveitar as oportunidades crescentes que os principais fabricantes de aviões do mundo, incluindo a Embraer, passaram a oferecer ao terceirizar a produção de pequenos componentes e grandes subconjuntos às empresas localizadas em países em desenvolvimento.

O objetivo das empresas de primeira linha, tanto as líderes como os fornecedores, é tirar proveito dos custos operacionais mais baixos desses países, ter acesso a tecnologias ou simplesmente para cumprir acordos de compensação, pratica muito comum na área de defesa.

Outro mercado que pode alavancar os negócios das pequenas e médias empresas brasileiras na cadeia de valor das aeronaves comerciais é o de serviços de manutenção, reparo e revisão (MRO, da sigla em inglês). Segundo a pesquisa da CNI, os gastos globais com esse tipo de serviço foram avaliados em US$ 46 bilhões em 2011, mas a tendência é que esse valor suba para US$ 65 bilhões em 2020, tendo em vista o tamanho da frota regional e o crescimento projetado para as vendas de aeronaves.

O estudo constata, ainda, que a crescente participação da Embraer no mercado mundial de aviões regionais também contribuiu para atrair ao Brasil grandes fornecedores do setor, como a americana GE, a belga Sonaca e a suíça Liebherr.
http://www.eb.mil.br/web/imprensa/resenha?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-3&p_p_col_count=1&_56_groupId=18107&_56_articleId=4640780&_56_returnToFullPageURL=http%3A%2F%2Fwww.eb.mil.br%2Fweb%2Fimprensa%2Fresenha%3Fp_auth%3DLV3HIlej%26p_p_id%3Darquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d%26p_p_lifecycle%3D1%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3Dcolumn-3%26p_p_col_count%3D1%26_arquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d_mes%3D2%26_arquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d_ano%3D2014%26_arquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d_data%3D13022014%26_arquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d_javax.portlet.action%3DdoSearch#.Uv1HZGJdVIU

Nenhum comentário: