segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Caçado, líder da oposição convoca marcha para amanhã na Venezuela

Resenha EB / Folha de São Paulo / DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
17 Fev 2014

Para o governo, Leopoldo López está ligado a manifestações que deixaram ao menos 3 mortos

Com ordem de prisão decretada, ex-prefeito promete aparecer; em Caracas, novo protesto reúne 3.000 pessoas

Procurado pela polícia venezuelana, o líder oposicionista e ex-prefeito de Chacao Leopoldo López --cujo paradeiro é desconhecido-- convocou por meio de vídeo no YouTube novo protesto para amanhã na Venezuela.

O governo venezuelano acusa López de assassinato e terrorismo por sua suposta ligação com os protestos que deixaram ao menos três mortos e dezenas de feridos no país nos últimos quatro dias.

No vídeo divulgado ontem à noite, o ex-prefeito, que teve ordem de prisão decretada na quinta, convocou os manifestantes a se vestirem de branco para participar de uma marcha pacífica amanhã até o Ministério da Justiça.

López afirmou que "mostrará a cara" àqueles que querem prendê-lo e fez uma lista de reivindicações dos manifestantes que levará ao governo, como fim da repressão aos protestos e responsabilização do Estado pelas mortes no protesto do último dia 12.

"Maduro, você é um covarde. Não vai derrubar nem a mim nem a minha família", escreveu López no Twitter.

Segundo a mídia local, na noite de sábado, a polícia fez busca na casa dos pais de López à procura do opositor.

Protestos de ontem

Um novo protesto reuniu cerca de 3.000 pessoas ontem nas ruas de Caracas. Segundo o jornal "El Nacional", a polícia dispersou com gás lacrimogêneo manifestantes que tentaram fechar uma estrada, mas não houve registro de feridos. Outra manifestação está prevista para hoje.

Na noite de sábado, pelo menos 23 pessoas ficaram feridas em mais um confronto entre estudantes e as forças de segurança em Chacao, município próximo a Caracas que se tornou um epicentro do ativismo de oposição.

O conflito começou quando manifestantes tentaram fechar a estrada que liga a cidade à capital e que já fora bloqueada na sexta. A Guarda Nacional reprimiu a ação.

Os manifestantes, na maioria estudantes, protestam contra o governo de Nicolás Maduro, a insegurança, a inflação e a escassez de produtos no país, mas também pela libertação de ativistas presos durante os confrontos.

'INFILTRADOS'

O oposicionista Henrique Capriles, candidato presidencial duas vezes derrotado, acusou o governo de infiltrar pessoas nos protestos para causar conflitos. "É óbvio que o movimento estudantil não quer a violência. Temos de isolar os infiltrados", disse.

Ainda ontem, o governo venezuelano afirmou que imagens divulgadas em redes sociais e veículos de comunicação como sendo das manifestações estudantis de quarta-feira correspondem a outros países ou outras épocas.

A ministra Delcy Rodríguez (Comunicação) disse que imagens de protestos no Chile e Egito são divulgadas como repressão na Venezuela.

ANÁLISE

MÍDIA DO PAÍS EXIBIA NOVELAS NO DIA EM QUE A VIOLÊNCIA ECLODIU

Cresce na Venezuela o temor de que Nicolás Maduro esteja apertando o cerco à mídia. "Fora as mortes nos protestos, o pior que tem ocorrido é a redução da liberdade de expressão", diz David Smilde, do "think tank" Washington Office for Latin America.

Na quarta, quando a violência eclodiu e houve três mortos, a mídia venezuelana exibia novelas e mensagens do governo --"sinal muito pouco lisonjeiro de autocensura", segundo o analista.

Grupos pró-governo supostamente roubaram ou quebraram câmeras de agências de notícias, e Maduro, que acusou a AFP de "manipulação", tirou das listas de canais a cabo o colombiano NTN24.

"Antes, o governo inventava explicações. Agora, Maduro diz abertamente que tirar a NTN24 do ar foi decisão de Estado", afirma Smilde.
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