domingo, 23 de fevereiro de 2014

Barbosa e Marina poderiam forçar 2º turno

Resenha EB / Folha de São Paulo / FERNANDO RODRIGUES
23 Fev 2014

Em cenário que inclui candidatos de partidos nanicos, previsão de vitória de Dilma na primeira etapa se mantém

Com a exceção de Lula, taxa de rejeição de todos os pré-candidatos subiu em relação à pesquisa de novembro

Por enquanto, o único fator que pode causar alguma disrupção para Dilma Rousseff no cenário da eleição presidencial é a eventual entrada de Joaquim Barbosa e Marina Silva na disputa --algo que hoje parece improvável.

Nessa hipótese testada pelo Datafolha na pesquisa dos dias 19 e 20, Dilma Rousseff (PT) lidera com 40%.

No entanto, a soma dos adversários da presidente chega a 43%, assim divididos: Marina Silva (PSB) pontua 17%; Joaquim Barbosa (sem partido) tem 14% e Aécio Neves (PSDB) marca 12%.

Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, não é possível dizer que haveria segundo turno. Há uma situação de empate técnico quase no limite estatístico da pesquisa. Ainda assim, essa seria hoje a única situação em que a presidente Dilma Rousseff ficaria mais apertada para vencer a disputa pelo Planalto.

Quando sai Marina Silva e entra Eduardo Campos, a taxa de intenção de votos do candidato do PSB é de 8%. Aécio fica com 14%. Joaquim pontua 16%. Juntos, os três somam 38% contra 42% de Dilma Rousseff. A diferença de quatro pontos percentuais é o limite máximo da margem de erro --uma situação pouco provável de se materializar na prática.

O Datafolha testou os nomes de Joaquim Barbosa e de Marina Silva porque ambos sempre aparecem nas análises políticas de vários partidos. Mas eles têm dado sinais de que não participarão da corrida presidencial de outubro deste ano.

Marina Silva pode não disputar nenhum cargo ou, opção mais provável hoje, ser a candidata a vice-presidente na chapa encabeçada por Eduardo Campos.

Joaquim Barbosa tem reiterado que não será candidato a presidente da República neste ano. Deixa em aberto nas suas declarações uma eventual disputa a outros cargos ""por exemplo, a vaga ao Senado pelo Estado do Rio de Janeiro, onde o magistrado tem domicílio eleitoral.

Para estar apto a disputar um cargo, Barbosa precisa deixar o STF até 5 de abril (seis meses antes da eleição) e se filiar a um partido.

NANICOS

Os candidatos de partidos pequenos têm por enquanto um impacto diminuto na sucessão presidencial.

O Datafolha incluiu nesta pesquisa oito postulantes de microssiglas:

Denise Abreu (PEN), Eduardo Jorge (PV), José Maria de Almeida (PSTU), José Maria Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB), Mauro Iasi (PCB), Pastor Everaldo Pereira (PSC) e Randolfe Rodrigues (PSOL). Desses oito partidos, apenas três (PSC, PSOL e PV) têm representantes no Congresso no momento.

Juntos, os oito nanicos pontuam 5% no Datafolha. Nesse cenário, Dilma fica com 44% e ganha com folga no primeiro turno. Aécio tem 16%. Eduardo Campos, 9%.

O candidato de partido pequeno mais bem posicionado é o Pastor Everaldo Pereira, com 3%. Ele ocupou todas as propagandas televisivas do PSC desde o ano passado, com um discurso conservador e voltado para as famílias.

Eduardo Jorge (PV) e José Maria (PSTU) registram 1% cada. Os demais nanicos ficam abaixo disso.

REJEIÇÃO

Um fenômeno atingiu a quase todos os pré-candidatos a presidente: uma alta da taxa de rejeição. Os três principais candidatos --Dilma, Aécio e Campos-- foram a 30%, segundo o Datafolha, com variações acima da margem de erro em relação à pesquisa de novembro.

Joaquim Barbosa também registrou alta. Tinha 22% de rejeição em novembro e foi a 27% agora. O único cuja taxa ficou estável foi Luiz Inácio Lula da Silva, com 17%. Ele tinha 16% e a variação ficou dentro da margem de erro da pesquisa.
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