segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Ascensão a longo prazo

Resenha EB / Folha de São Paulo / EDITORIAIS
10 Fev 2014

Apesar das turbulências recentes, países emergentes tendem a manter fôlego por mais tempo, desde que façam as reformas necessárias

Os últimos meses não têm sido fáceis para muitos países emergentes. Bolsas em queda, moedas com forte desvalorização, redução das projeções de crescimento e aparentes problemas financeiros começam a trazer lembranças das recorrentes crises dos anos 1980 e 1990 e a suscitar temores de que tais episódios se repetirão.

Saber se haverá crise generalizada é questão de difícil resposta. O mais provável é que os próximos anos sejam árduos para aqueles países que acumularam grandes desequilíbrios na última década de juros baixos e capital farto.

Entre 2009 e 2011, quando os Estados Unidos e a Europa estagnaram, os principais emergentes adotaram fortes programas de combate à recessão. A Ásia cresceu perto de 8% ao ano e respondeu por mais da metade da expansão mundial.

Hoje a situação é diferente, e a distância entre o desempenho do centro e o da periferia se estreita. Há, além disso, a mudança do padrão de crescimento da China, menos voltado para o consumo de matérias-primas.

Nesse cenário, conforme se consolida a recuperação --ainda que lenta-- das economias desenvolvidas e fica mais próximo o momento dos juros mais altos nesses países, os investidores redirecionam o capital para o centro.

Tende a haver saída em massa de divisas de países que há pouco eram a coqueluche. Os alvos são os que apresentam maiores deficit externos, fragilidades orçamentárias e baixo crescimento. Neste grupo estão Turquia e África do Sul, por exemplo. O medo de contágio, contudo, afeta a todos.

Seria um erro, porém, olhar apenas para o curto prazo. A crise asiática de 1997 --que levou até a Coreia do Sul a recorrer ao FMI (Fundo Monetário Internacional)-- não impediu que, com a ascensão da China, a região desse um salto na década seguinte.

Nos últimos 20 anos, os emergentes viram dobrar sua participação no PIB mundial. Conforme o progresso técnico se dissemina nesses países, surge uma nova classe média global --e não há nenhum sinal de que esse movimento se esgotará tão logo.

A prosperidade, é claro, não está garantida. A questão principal, no longo prazo, diz respeito mais às reformas internas que precisam ser implementadas do que ao jogo de comparações e modismos.

Serão vitoriosos os países que conseguirem não só integrar melhor suas economias nas cadeias produtivas de alto valor em escala mundial, como também modernizar suas instituições e, especialmente, desenvolver capital humano.
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