quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Apagão veio 3 minutos após recorde no Sul

Resenha EB / Folha de São Paulo / SAMANTHA LIMA e LUCAS VETTORAZZO
06 Fev 2014

Especialistas dizem que é muito grande chance de relação entre pico de demanda na região e falha; ONS descarta

Reservas de usinas hidrelétricas estão melhores que há um ano, mas baixas para um período chuvoso

O curto-circuito duplo no sistema de transmissão de energia que deixou 6 milhões de pessoas sem luz em 13 Estados, anteontem, aconteceu três minutos depois de o Sul do país ter atingido o pico de demanda de eletricidade.

Para especialistas, o curto espaço de tempo entre os dois episódios indica que o recorde no Sul foi determinante para a queda no sistema, uma vez que ele é interligado e a região vem sendo abastecida por carga significativa vinda do Norte, resultado do nível baixo de água nos reservatórios de Sudeste e Sul.

Às 14h de terça-feira, o Sul registrou a carga instantânea recorde de 17.412 MW, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Às 14h03, ocorreu o curto-circuito duplo, que ocasionou a saída de duas das três linhas que interligam os sistemas Norte e Sudeste/Centro-Oeste, no trecho que passa pelo Estado do Tocantins, entre as cidades de Colinas e Miracema.

Com a sobrecarga, a terceira linha desligou-se, obedecendo a mecanismo de segurança, segundo o ONS.

"É muito grande a probabilidade de os eventos estarem relacionados", diz o professor Ennio Peres, da Unicamp. "Sistemas operando no limite apresentam mais falhas."

O professor Reinaldo Castro Souza, da PUC-Rio, disse não ter dúvidas sobre as relações de causa e consequência. "É um problema causado pelo excesso de consumo."

O ONS descarta a relação entre os dois eventos. Está prevista para hoje uma reunião entre o órgão, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e as concessionárias de geração e transmissão envolvidas para discutir as causas do apagão.

As linhas em curto são da Intesa, controlada por um fundo de investimento do BTG Pactual, e da Taesa, controlada pela Cemig. As empresas não comentaram a falha.

RESERVATÓRIOS

Os reservatórios das hidrelétricas no país estão, atualmente, mais cheios que o verificado na média de janeiro do ano passado, resultado do acionamento das térmicas a todo o vapor. Os níveis, porém, continuam baixos para o período chuvoso.

Para Souza, da PUC-Rio, o nível seguro para o período seco gira entre 65% e 75%.

Boletim do ONS de terça-feira mostra que os reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste estavam 39,2% cheios, acima dos 37,5% da média de janeiro de 2013. No Sul, o nível estava em 53,9%, ante 43,8% em janeiro de 2013.

No Nordeste, o percentual é de 42,8%, ante 32,9% um ano atrás. Apenas no Norte os reservatórios estão em nível seguro: 65%.

No IPDO (Informativo Preliminar Diário da Operação), o ONS diz que, dos 16.442 MW (megawatts) de energia térmica disponível, o país usou 15.131 MW na terça-feira.

"Se não chover em fevereiro ou março, o risco será grande. As térmicas suprem as incertezas, mas temos visto picos de consumo devido ao forte calor", afirmou Souza.
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