quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Alerta separatista

Resenha EB / O Globo
26 Fev 2014

Cidades da crimeia rejeitam governo interino e protestam por integração com a rússia

Aos gritos de "Rússia, Rússia, Rússia!", mais de mil manifestantes reunidos em frente à Câmara Municipal de Sebastopol saudaram a posse de um russo, Aleksei Chaly, na prefeitura dessa cidade no Sul da Ucrânia. A recepção calorosa acendeu um alerta em Kiev, e o presidente interino, Oleksander Turchinov, expressou preocupação com a unidade do país. Se durante semanas manifestantes protestaram na capital por relações mais estreitas com a União Europeia, agora quem alça a voz é a região da Crimeia, que cultiva fortes laços históricos com a Rússia. A ação acontece poucos dias após a deposição do presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, um aliado do governo russo, e torna reais os temores separatistas que surgiram com sua destituição pelo Parlamento.

A capital regional de Simferopol e a cidade costeira de Kerch registraram manifestações semelhantes pró-Rússia. Também há relatos sobre a formação de milícias anti-Kiev na região. Em Sebastopol, o chefe de polícia Alexander Goncharov disse que seus oficiais se recusam a cumprir "ordens criminosas" da capital. O novo prefeito, Chaly, chegou ao poder depois que o prefeito indicado por Kiev, Vladimir Yatsuba, se viu forçado a renunciar entre vaias ao defender que a Crimeia é parte da Ucrânia. A península rejeita a autoridade do governo interino formado por opositores de Yanukovich.

A Crimeia pertenceu à Rússia até 1954, quando foi transferida à Ucrânia. A influência russa, porém, se manteve, e não se sabe até que ponto o Kremlin poderia estar, extraoficialmente, incentivando o sentimento separatista na região.

Ex-boxeador será candidato da oposição

Num comunicado posterior a uma reunião com chefes de segurança, Turchinov afirmou que discutiram "não permitir nenhum sinal de separatismo e ameaça à integridade territorial da Ucrânia, e castigar as pessoas culpadas por isso". O receio é que a Crimeia aproveite a crise política para lutar por mais autonomia e aproximar-se da Rússia.

O presidente interino não deu detalhes sobre possíveis sanções, mas a declaração repercutiu na vizinhança. O chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que não se deve forçar o país a se decidir entre Rússia e Ocidente.

- É perigoso e contraproducente tentar impor à Ucrânia uma escolha sobre o princípio: "Ou você está conosco ou contra nós" - disse Lavrov. - A Rússia e o Ocidente devem usar contatos com diferentes forças políticas na Ucrânia para acalmar a situação, e não procurar alcançar vantagens unilaterais num momento em que o diálogo é necessário.

As preocupações do Kremlin têm como pano de fundo uma luta de influências com a UE. No ano passado, o presidente agora deposto preferiu assinar com a Rússia, e não com o bloco, um acordo que envolvia a redução do preço do gás e um empréstimo de US$ 15 bilhões. Foi o estopim para os protestos em Kiev.

Sem Yanukovich, o bloco ensaia uma reaproximação, aparentemente correspondida pelo presidente interino. Turchinov recebeu na segunda-feira a chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, e pediu ajuda para reunir doadores de fundos à Ucrânia. Segundo ele, o país precisa de US$ 35 bilhões no período de 2014-2015 para se reerguer.

Dificilmente, porém, receberá algo até uma normalização do comando político do país. Havia a previsão de que o Parlamento votasse ontem a formação de um governo de unidade, mas o projeto foi adiado para amanhã, segundo parlamentares, para permitir mais consultas.

Já o calendário eleitoral foi definido: os aspirantes à Presidência terão até 4 de abril para se inscreverem como candidatos ao pleito antecipado para 25 de maio. O ex-boxeador Vitali Klitschko, um dos principais mentores dos protestos em Kiev, anunciou que vai concorrer.

- Acredito com firmeza que as regras do jogo devem ser modificadas na Ucrânia - justificou ontem.

Processo no Tribunal Internacional

Longe das decisões em Kiev, Yanukovich continua na mira dos opositores. O Parlamento anunciou que vai pedir ao Tribunal Penal Internacional que leve o presidente deposto a julgamento. Ele é acusado de comandar a repressão que levou a morte de cem pessoas em protestos em Kiev. No dia anterior, o governo interino já tinha emitido ordem de prisão contra ele pelo "assassinato em massa" de civis.
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