quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Absolvido em segredo, Donadon é cassado na estreia do voto aberto

Resenha EB / O Globo / ISABEL BRAGA e FERNANDA KRAKOVICS
13 Fev 2014

Por 467 votos, Câmara tira mandato de deputado preso na Papuda

BRASÍLIA- Seis meses depois da desgastante sessão que absolveu, pelo voto secreto, o deputado presidiário Natan Donadon (sem-partido-RO), o plenário da Câmara cassou, por 467 votos, com apenas uma abstenção, o mandato do parlamentar, na primeira votação da História do Congresso Nacional em que a perda de mandato foi decidida pelo voto aberto. Além da votação aberta, a cassação ocorreu com casa cheia, já que as ausências ficaram registradas no painel eletrônico. Da primeira vez, quando a votação foi secreta, Donadon, condenado pelo Supremo Tribunal Federal pelos crimes de peculato e formação de quadrilha, foi absolvido porque não foram dados sequer os 257 votos necessários à cassação.

A única abstenção foi do deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA). Entre os ausentes estava o deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), denunciado pela Procuradoria Geral da República, sob a acusação de envolvimento no mensalão tucano em Minas Gerais.

BODE EXPIATÓRIO

Donadon chegou à Câmara acompanhado por seguranças e vestindo uma roupa branca, de uso autorizado pela penitenciária da Papuda e que substitui o uniforme tradicional. Sentado no plenário, já de terno e gravata, Donadon disse que é um "bode expiatório". Afirmou que não renunciou porque é inocente e disse não saber por que está na prisão. O deputado presidiário afirmou que vai recorrer ao STF:

— Quem está com a verdade não tem por que fugir da raia. Eu, por mim, estaria exercendo o mandato porque a Câmara me absolveu.

Asdrúbal Bentes, que se absteve, disse que não votou pela cassação porque foi condenado a três anos de prisão, em regime aberto, acusado de ter doado 13 laqueaduras na campanha municipal de 2004:

— Não me sinto à vontade para condenar alguém.

Ao se levantar e ver o deputado Cândido Vaccarezza (PTSP), o deputado-presidiário deu um abraço no petista, que ficou constrangido.

— Está todo mundo com medo. É ano eleitoral. Se ele não for cassado, eu não conheço mais esta Casa — dizia, antes do resultado, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).

Donadon compareceu, mas o presidente da Casa, Henrique Alves (PMDB-RN), não lhe deu a palavra. A defesa ficou a cargo do advogado Michel Saliba. Antes da fala de Henrique, deputados chegaram a ameaçar deixar o plenário, com temor de que ele fosse à tribuna.

Depois de anunciar o resultado, o presidente da Câmara leu o documento da perda do mandato e anunciou que o titular é o atual suplente, Amir Lando (PMDB-RO), que se ausentou da votação da noite passada.

— Cumprimos o nosso dever. Não foi uma noite prazerosa, foi constrangedora. Foi a primeira votação com o voto aberto. Foram dois momentos: aquele, da outra votação (com voto secreto), que lamentamos, tivemos muitos ausentes, e o de hoje quando cumprimos nosso dever — disse Henrique Alves.
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