domingo, 26 de janeiro de 2014

Oposição recusa cargo de premier na Ucrânia

Resenha EB / O Globo
26 Jan 2014

Após oferta do governo, lideranças insistem em exigir renúncia do presidente

KIEV - No sinal mais visível da pressão sobre o governo da Ucrânia após dois meses de protestos, o presidente Viktor Yanukovich ofereceu o posto de primeiro-ministro à oposição e se comprometeu a suavizar a repressão aos manifestantes. Mas as lideranças opositoras voltaram a recusar as concessões, e continuam exigindo a renúncia de Yanukovich e a realização de eleições antecipadas — o mandato do presidente vai até 2015.
O nacionalista Oleg Tyagnibok, um dos líderes da oposição, resumiu o espírito da mobilização.

— Yanukovich não é mais quem ele era. Devemos pressioná-lo ainda mais. A vitória está próxima — disse em discurso a milhares de manifestantes reunidos no centro de Kiev.

Tyagnibok comanda o menor dos três partidos de oposição no Parlamento, e alguns dos manifestantes radicais são militantes da legenda. Isso pode ter contribuído para o fato de que foi o único líder opositor a não ter recebido propostas de cargos no governo. Já Arseny Yatseniuk — à frente do segundo maior partido ucraniano e o mais importante da oposição — foi convidado a ser primeiro-ministro. O ex-boxeador Vitali Klitschko, líder da segunda maior legenda opositora, seria premier para assuntos humanitários.

— Yanukovich concordou com muitas de nossas demandas — anunciou Klitschko para os manifestantes. — Não vamos retroceder, não somos extremistas e vamos continuar as conversas.

"Não vamos voltar atrás"

As concessões do governo foram decididas após três horas de negociação. Yanukovich já havia aceitado emendar a legislação antiprotestos recentemente aprovada no Parlamento — os manifestantes querem a revogação dos textos — e ontem propôs uma anistia para todos os que foram presos em protestos desde novembro. O presidente também ofereceu a suspensão de mudanças na Constituição que ampliaram seus poderes. No entanto, as propostas foram rechaçadas pelos manifestantes. As lideranças da oposição entenderam o recado e não se arriscaram.

— Leis draconianas devem ser revogadas imediatamente pelo Parlamento. É nossa prioridade, não vamos voltar atrás — disse Yatseniuk.

No entanto, permanecem questionamentos sobre a viabilidade do diálogo. O ministro do Interior, Vitaly Zakharchenko, afirmou que os acontecimentos em Kiev têm "caráter extremista" e considerou inúteis os esforços para resolver de maneira pacífica os conflitos no país. Analistas locais destacam o engajamento cada vez maior de nacionalistas de extrema-direita nas manifestações.

A dúvida agora recai sobre os passos que governo e oposição tomarão até terça-feira, quando haverá uma sessão extraordinária no Parlamento convocada por Yanukovich — o "dia do juízo final", segundo Yatseniuk.

Os protestos começaram em novembro, quando o governo ucraniano recusou um acordo comercial com a UE defendido pela oposição e assinou outro com a Rússia. Esta semana, confrontos entre manifestantes e policiais ficaram mais violentos, com pelo menos três mortes entre participantes dos protestos.

A expansão das manifestações pela Ucrânia também foi decisiva na pressão sobre o governo. Fora a capital, pelo menos 21 cidades já registraram protestos. Em 15 delas, houve ocupação prédios públicos e construção de barricadas.
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