sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Militares da Ucrânia pedem "medidas urgentes" para resolver crise

Folha de São Paulo / AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
31/01/2014 08h34

As Forças Armadas da Ucrânia pediram nesta sexta-feira ao presidente Viktor Yanukovich que tome "medidas urgentes" para estabilizar o país. O mandatário enfrenta há dois meses protestos da oposição, que pede sua renúncia após ele ter rejeitado um acordo com a União Europeia.

Em comunicado no site do Ministério da Defesa, os militares consideraram "inaceitável" a ocupação de prédios estatais e as tentativas de impedir o cumprimento das funções do Poder Executivo. Para as Forças Armadas, "a escalada de contestação ameaça a integridade territorial ucraniana".

Os movimentos de oposição ocupam desde dezembro a praça da Independência, em Kiev, com barracas e há duas semanas as sedes de dois ministérios e de governos regionais no oeste do país. Para tentar conter o avanço dos opositores, o governo chegou a aprovar uma lei punindo a invasão dos prédios estatais.

A medida fazia parte da lei contra os protestos que provocou a radicalização do movimento há duas semanas, levando a protestos que terminaram em confronto com a polícia e deixaram cinco mortos. Na terça (28), a lei foi derrubada pelo Parlamento, como parte das concessões feitas pelo governo.

Além do fim da legislação, houve a renúncia do gabinete do primeiro-ministro Mykola Azarov e a aprovação de uma lei de anistia. No entanto, os manifestantes continuaram mobilizados porque não concordam com a saída dos prédios públicos, condição colocada para liberar os opositores presos.

Nesta sexta, a ONG Human Rights Watch informou que houve 60 agressões a jornalistas e médicos durante os confrontos entre manifestantes e a polícia, entre os dias 19 e 22 de janeiro. Segundo a entidade, a maioria dos profissionais foi ferido pela polícia, apesar de estarem devidamente identificados.

REUNIÃO

O chamado dos militares acontece um dia antes de uma reunião na Alemanha dos líderes opositores Vitali Klitschko e Arseni Yatseniuk com o secretário de Estado americano, John Kerry. Os dois ainda devem se encontrar com a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Asthon.

A notícia da reunião causou irritação da Rússia, que já criticou outras vezes a interferência de americanos e europeus na crise política ucraniana. Em entrevista, o vice-primeiro-ministro Dmitri Rogozin afirmou que o encontro era um circo.

"E por que não convidaram o nazista [Oleg] Tyagnybok?", disse, em referência ao líder do partido nacionalista Svoboda, que é o mais radical das lideranças opositores e mantém as ocupações a prédios públicos. "A Casa Branca deveria ouvir e considerar sua opinião".
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/01/1405513-militares-da-ucrania-pedem-medidas-urgentes-para-resolver-crise.shtml

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