segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Mais baratas, minicâmeras viram febre e intensificam vigilância civil

Folha de São Paulo / "NEW YORK TIMES" / QUENTIN HARDY
20/01/2014 03h23

The New York Times No Saara, a tartaruga de esporas africana vive por cerca de um século. Graças à tecnologia moderna, uma representante da espécie, chamada Franky, tem uma chance de imortalidade.

"Ele recebe 10 mil visitas por semana", disse Donnie Cook, proprietário da Lou's Pet Shop, em Grosse Point Woods, Michigan, onde Franky, uma afável tartaruga macho de 17 anos, passa seus dias transmitindo pela Internet uma visão do mundo pelos olhos de uma tartaruga.

A fama de Franky ilustra a crescente vigilância de quase tudo praticada por cidadãos privados. Graças a avanços na miniaturização e a recursos de armazenagem digital baratos, pequenas câmeras agora estão ativas em casas, pessoas e na natureza.


A tartarura Franky, 17, caminha com uma Dropcam anexada a seu casco; câmera registra a vida do quelônio 24 horas por dia - Joshua Lott - 7.jan.14/The New York Times

O número de casas dotadas de câmeras privadas de segurança cresceu em cerca de cinco milhões nos Estados Unidos no ano passado, para 15 milhões, de acordo com a companhia de pesquisa Parks Associates.

A Dropcam, fabricante da câmera de segurança instalada sobre o casco de Franky, sobe mais de mil horas de vídeo por minuto –o Youtube, em comparação, sobe cem.

Embora o público pareça cada vez mais desconfortável com a ideia de ter câmeras do governo e bisbilhoteiros de Internet registrando seu comportamento diário, não parece existir grande introspecção sobre sua monitoração rotineira de pessoas, animais de estimação ou prestadores de serviços de reparos.

As câmeras de vídeo de alta definição da Dropcam são vendidas por US$ 149 e US$ 199, e podem ser monitoradas usando a maior parte dos aparelhos de computação. A empresa tem muitos concorrentes, como a Axis Communications, da Suécia, a norte-americana Pelco e diversos fabricantes chineses.

A maior parte das imagens de câmeras de segurança são incansáveis registros de salas e entradas de veículos vazias, e diante delas os vídeos de festas de aniversário, pegadinhas e lições de como usar fio dental oferecidas pelo YouTube parecem irresistivelmente cintilantes.

O mais importante para o presidente da Dropcam Greg Duffy, porém, é o que esses bilhões de horas de vídeo significam em termos de conferir poder aos cidadãos.

"Há dois caminhos: o governo pode ter câmeras em toda parte ou as pessoas podem ter câmeras, o que é um controle distribuído", diz.

FISCALIZAÇÃO

Forças policiais vêm há anos aumentando o número de câmeras que usam, nos carros de patrulha e carregadas por policiais, o que resultou no surgimento de um subgênero no YouTube formado por vídeos de veículos detidos e de tiroteios entre policiais e criminosos.

Os cidadãos vêm reagindo com uso cada vez maior de vídeos, pelo menos desde a agressão de policiais contra Rodney King em 1991.

Na Rússia, as câmeras instaladas em carros de polícia são ferramenta para registrar delitos de de policiais. A explosão de um meteoro sobre Chelyabinsk, em 2013, também foi imediatamente enviada para a rede e compartilhada ao redor do mundo.

Mas algumas dessas câmeras capturam momentos mais pessoais. Seth Cummings, que trabalha com marketing em Lake Arrowhead, Califórnia, mostrava aos filhos fotos da sala da família decorada para o Natal quando um deles, um menino de cinco anos, apontou para o fato de que a câmera de segurança permitiria registrar a chegada de Papai Noel.

Cummings conta que a chegada de Papai Noel foi devidamente capturada pela câmera, perto da meia-noite.
http://www1.folha.uol.com.br/tec/2014/01/1399139-mais-baratas-cameras-diminutas-multiplicam-a-vigilancia-por-cidadaos.shtml

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