quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Exame reprova 59% dos novos médicos; 64% não ligam tosse à tuberculose

Resenha EB / Estadão.com.br / Mônica Reolom
23 Jan 2014

Quase 6o% dos recém-forma-dos em escolas de Medicina de São Paulo não atingiram o critério mínimo no exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Isso significa que 1.684 dos 2.843 participantes acertaram menos de 72 das 120 questões da prova, aplicada em novembro do ano passado. A maioria dos profissionais não conseguiu responder, por exemplo, se tosse por longo tempo poderia indicar suspeita de tuberculose.

O resultado foi considerado "ridículo" pelo coordenador do exame, Bráuiio Luna Filho. "Nós, do Cremesp, queremos que esse profissional (reprovado) volte para a escola. O maior problema é que, assim que recebe o diploma, o aluno deixa de ser responsabilidade da faculdade e se torna responsabilidade do conselho", diz. Segundo a entidade médica, 70% das questões de múltipla escolha tiveram nível fácil e médio, o que deixa o quadro ainda mais preocupante. "O objetivo é avaliar se o recém-formado sabe o básico ao concluir o curso, o mínimo necessário para exercer com segurança a profissão."

O porcentual de reprovados ficou 4,7 pontos acima do número de 2012. Esta foi a 9a edição da prova, mas apenas a segunda realizada depois que ela se tornou obrigatória para quem deseja se inscrever no Cremesp e atuar no Estado. O registro, no entanto, não depende do desempenho no exame.

Particulares. A porcentagem de egressos de instituições de ensino privadas que não atingiram o nível mínimo no exame foi mais que o dobro da de formados vindos de escolas públicas: 71% ante 33,9%. "O órgão regulador do Estado teria de olhar a qualidade dos cursos, o que não está ocorrendo", ressalta Gonçalo Medina, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP. Luna Filho concorda. "As escolas brasileiras avaliam mal os seus alunos. A condição para ser médico em alguns escolas é poder pagar de R$ 4 mil a R$ 6 mil por mês."

O Ministério da Educação (MEC),responsável pela regulação e liberação de cursos, afirmou por meio de nota que "a melhoria da formação médica é prioridade" para o ministério. Segundo o órgão, "Várias ações foram implementadas ao longo dos dois últimos anos e outras estão sendo desenvolvidas em prol da qualidade dos cursos de Medicina do País". Como exemplo, o órgão cita o Mais Médicos e a intensificação dos procedimentos de supervisão, aperfeiçoamento dos instrumentos de avaliação in loco para os cursos de Medicina e implementação de um programa permanente de monitoramento dos cursos.

DEBATE

Um questionário pode avaliar o nível do recém-formado?

Mário Scheffer*

A prova é equilibrada entre as principais areas do conhecimento, tem amparo na literatura científica e em provas de outros países. E tem a vantagem de ser feita por uma instituição que não é a escola. O que salta aos olhos é o alto índice de reprovação das escolas privadas. É um elemento importante nesse momento em que, com o Mais Médicos, todo mundo olha só os estrangeiros.

PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE MEDICINA ; PREVENTIVA DA USP

Antonio Carlos Lopes *

É um exame que não diz absolutamente nada. Se for aprovado ou reprovado, o profissional vai receber a carteira. Não tem aspecto de bloqueio, ou o fato de a instituição ser chamada para melhorar. Esse exame deixa muito a desejar. Muitos boicotam a prova, e vão lá e respondem errado. Não se preocupam em responder corretamente. Medicina é habilidade, ética, atitudes. Uma prova exclusivamente teórica deixa muito a desejar.

É DIRETOR DE MEDICINA DA UNIFESP
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