sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Com risco de crise cambial, peso desaba na Argentina e BC intervém

Resenha EB / Valor Econômico / Marli Olmos
24 Jan 2014

De Buenos Aires

Duas coisas subiram muito ontem na Argentina: a temperatura e o câmbio. O clima esquentou ao longo do dia, alcançando, ao final da tarde, 40°C, com sensação térmica de 47,6°C. O dólar oficial, que estreou o dia a pouco mais de 7 pesos, já depois da alta que surpreendeu o mercado na quarta-feira, chegou a 8,50. A poucos minutos do fechamento do dia, o Banco Central argentino decidiu intervir no mercado. Vendeu algo em torno dos US$ 120 milhões e fez o dólar recuar um pouco e fechar a 7,75 pesos.

Os dois fenômenos assustaram os argentinos. Há 52 anos não se registrava um calor desses no país, e que provocou a morte de quatro idosos na Província de Mendoza. Há 12 anos não se tinha notícia de uma desvalorização cambial dessa magnitude. Apenas no acumulado deste mês o peso vale 22,7% menos do que valia quando a população fez as compras de Natal.

Os representantes do governo começaram o dia dizendo uma coisa e terminaram fazendo outra. Pela manhã, em seu pronunciamento diário, o ministro chefe de gabinete, Jorge Capitanich, disse que a desvalorização do dia anterior "não havia sido induzida pelo governo". Segundo ele, "oferta e demanda de divisas era o que havia se expressado na quarta-feira no mercado de câmbio".

Antes do meio-dia parecia que havia dado certo a intenção do governo de frear a disparada do paralelo. A diferença entre o dólar oficial e o paralelo havia diminuído dos mais de 70% do dia anterior para 58,5%.

Mas a cotação da moeda americana no mercado paralelo voltou a se distanciar do oficial ao longo da tarde e chegou a 13 pesos, o que representava naquele momento uma diferença de 62,9% em relação ao câmbio oficial.

O governo decidiu, então, enviar a Polícia Federal para as casas de câmbio. Fiscais se espalharam nas "cuevas", apelido desses estabelecimentos, frequentado por qualquer cidadão, numa tentativa de flagrar o óbvio.

Havia um sinal explícito de que o governo havia decidido deixar de intervir no mercado de câmbio por estar preocupado com a queda de suas reservas. Mas o peso se desvalorizou além do que o próprio governo aparentemente planejava. No meio da tarde, um dólar, no câmbio oficial, já valia 8,40 pesos.

Às pressas, o ministro da Economia, Axel Kicillof, reuniu-se com autoridades do Banco Central e, faltando poucos minutos para o fechamento do mercado, a instituição vendeu dólares. O total vendido chegou perto de US$ 120 milhões, de acordo com cálculos do mercado.

Para o analista Mariano Lamothe, gerente de análises econômicas da Abeceb, a maior consultoria econômica da Argentina, o BC decidiu intervir no câmbio quando a desvalorização do peso chegou a um nível acima do que se esperava. A autoridade monetária entrou em cena quando a cotação do dólar chegou a 8,40. A ideia do BC de vender dólares nesse momento, segundo Lamothe, foi tentar baixar a cotação para 8, talvez temendo os efeitos que essa escalada cambial provocará na inflação.

Os prognósticos de todos os analistas para este ano eram de uma inflação real de 30%. O governo trabalhava com índices entre 10% e 11%. "Com certeza, agora, com essa desvalorização, vamos passar facilmente dos 30%", disse Lamothe ao Valor.

"A correção cambial chega tarde, mas é natural e, a esta altura, quase inevitável", disse ao jornal "La Nación" Eduardo Levy-Yeyati, diretor da consultoria Elypsis. O analista acrescentou que "sem um programa monetário explícito e com um Ministério da Economia desorientado e assustado, corre-se o risco de alimentar a inflação".

Para Dirk Willer, estrategista do Citigroup, o "risco de fuga de capital aumenta a cada minuto. Vai ser muito difícil controlar". Willer disse ainda que a liquidez "desapareceu em grande medida" com o risco de controles de capitais ao estilo venezuelano.

Gustavo Quintana, corretor da Rabello & Cia, afirmou que "previsões são muito difíceis. Ninguém viu o dólar a 8 pesos em janeiro, então é difícil especular onde ele vai parar". Em relatório, o banco de investimentos Brown Brothers Harriman escreveu que, "num ambiente de sentimentos negativos para os mercados emergentes, a Argentina está entre os piores dos piores". (Com agências internacionais e "Financial Times")
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