terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Brasil financia mais US$ 290 milhões para Cuba ativar seu principal porto

O Estado de S.Paulo / Vera Rosa - Enviada especial
28 de janeiro de 2014 | 2h 05

Ao anunciar nova ajuda à ilha para criar 'Zona de Desenvolvimento Especial' no Porto de Mariel, Dilma diz que pretende fazer do País um 'parceiro de primeiro de primeira ordem' de Havana e tem 'orgulho' da boa relação

HAVANA - A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem, em Havana, que o Brasil financiará mais US$ 290 milhões ao governo cubano para a implantação da Zona de Desenvolvimento Especial do Porto de Mariel e disse ter "orgulho" em se associar ao país. O novo crédito vai se somar aos US$ 802 milhões já emprestados até agora à ilha, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Ao lado do presidente de Cuba, Raúl Castro, Dilma participou da inauguração da primeira etapa do porto e chamou de "injusto" o bloqueio imposto pelos EUA. "O Brasil quer tornar-se parceiro econômico de primeira ordem para Cuba", afirmou a presidente (mais informações nesta página). "Cuba gera um dos três maiores volumes de comércio do Caribe. Somente com Cuba nossa região estará completa."

Para Dilma, a realização da 2.ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos (Celac) em Havana, a partir de hoje, "evidencia a importância" da ilha no processo de integração regional. Dos US$ 957 milhões orçados para a construção do Porto de Mariel, situado a 45 km de Havana, o BNDES acertou com o governo cubano que pelo menos US$ 802 milhões devem ser gastos no Brasil, na compra de bens e serviços.

Dilma conversou no domingo à noite com representantes do setor farmacêutico. Ela quer que empresas brasileiras de medicamentos também se instalem em Mariel. Nos bastidores, a presidente servirá de interlocutora para atrair investimentos para Cuba. "Nós agradecemos à presidente Dilma pela contribuição solidária a um projeto fundamental para a economia nacional", disse Raúl.

A ampliação do crédito em mais US$ 290 milhões já foi aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e espera garantias. Deste total, 85% serão financiados pelo BNDES e 15% terão contrapartida de Havana.

O assunto foi tratado ontem durante reunião reservada mantida por Dilma com Raúl, no Palácio da Revolução, sede do governo. Ela foi recebida pela Guarda de Honra, passou as tropas em revista e apresentou a Raúl sua comitiva, composta pelos ministros Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores), Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Helena Chagas (Comunicação), Alexandre Padilha (Saúde) e Alexandre Chioro, futuro titular da Saúde. A reunião foi seguida por almoço. No cardápio, perna de cabrito, recheada com queijo feta, e acompanhamento de aspargos. De sobremesa, musse de maçã com merengue.

Dilma expôs a Raúl os planos de parceria e disse que sua intenção é aumentar o fluxo comercial entre os dois países. De 2006 a 2013 o superávit para o Brasil, no comércio com a ilha, cresceu 38,2%, alcançando US$ 431,6 milhões. "Financiamos nessa primeira etapa (de construção do Porto de Mariel), por meio do BNDES, US$ 802 milhões em bens e serviços e envolvemos cerca de 400 empresas brasileiras nesse processo. Na segunda etapa, vamos financiar US$ 290 milhões para implantação da Zona de Desenvolvimento, que se tornará peça chave do desenvolvimento econômico cubano", disse Dilma, durante a cerimônia de inauguração do porto caribenho.

Espera. Mariel está em posição estratégica, de frente para a Flórida, nos EUA. Na prática, empresas brasileiras começam a apostar no negócio confiantes no avanço das reformas adotadas na ilha, batizadas pelo governo cubano como "atualização do modelo econômico". A privatização dos serviços de táxi foi a mais recente medida de uma lista que inclui incentivo a pequenos negócios e a unificação da moeda.

Um decreto baixado por Raúl em setembro flexibilizou a estrutura de capital em Mariel. Na tentativa de atrair investidores estrangeiros, o governo de Cuba promoveu mudanças no regime comunista e decidiu adotar a receita chinesa: empresas estrangeiras que se instalarem estarão submetidas a lei trabalhista e bancária diferenciadas. Uma companhia de Cingapura administrará o porto cubano.
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,brasil-financia-mais-us-290-milhoes-para-cuba-ativar-seu-principal-porto,1123713,0.htm

Nenhum comentário: