sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Argentina multa por aumento de preços

O Estado de S.Paulo / Ariel Palacios - Correspondente
30 de janeiro de 2014 | 2h 05

Governo de Cristina Kirchner multou 31 empresas por remarcações de preços; ministro chama empresários de 'anti-patrióticos'

BUENOS AIRES - O governo argentino começou ontem a multar comerciantes que remarcaram preços de produtos por causa da disparada do dólar. Segundo o chefe do gabinete de ministros da presidente Cristina Kirchner, Jorge Capitanich, já foram autuados 31 estabelecimentos. "Recebemos diversas denúncias sobre manobras (de remarcações) de empresários de supermercados que não estão cumprindo os acordos de preços e, por isso, já fizemos 31 atas sobre infrações", disse Capitanich.

O ministro acusou os empresários argentinos de "comportamento antipatriótico" por causa dessas altas. A acusação de Capitanich constituiu a primeira vez na qual o governo admitiu a existência de remarcações à revelia do congelamento aplicado pela Casa Rosada. O governo de Cristina Kirchner impôs um congelamento de preços em fevereiro do ano passado que englobava 12,5 mil produtos de supermercados e eletrodomésticos.

No entanto, essa política fracassou em meados do ano, quando a Casa Rosada decidiu reduzir o congelamento a 500 produtos. Ao longo do segundo semestre, essa nova paralisação de preços também foi a pique. Dessa forma, o governo optou por um congelamento de apenas 195 produtos desde a primeira semana de janeiro. Mas, com a desvalorização do peso e a escalada da inflação nas últimas semanas, diversos empresários começaram a remarcar os preços.

Empurrados pela alta do dólar e pelas incertezas sobre a política econômica, os preços dos eletrônicos e produtos para o lar, por exemplo, aumentaram, em média, 15% nos últimos dez dias, segundo um relatório da consultoria econômica Elypsis.

Sindicatos. A Confederação Geral do Trabalho (CGT) "rebelde", a ala da central sindical peronista que está em pé de guerra com a presidente Cristina Kirchner desde 2012, anunciou que não aceitará tetos para as discussões salariais deste ano. Diversos sindicatos exigem aumentos salariais superiores a 30%, o triplo da inflação prevista pelo governo Kirchner para este ano.

A cúpula da CGT rebelde, liderada pelo caminhoneiro Hugo Moyano, capaz de mobilizar em poucas horas mais de 100 mil sindicalistas com seus caminhões para bloquear avenidas e estradas, reuniu-se com um dos principais nomes da oposição, o prefeito portenho Maurício Macri.

Enquanto os rebeldes pressionam em meio à desvalorização do peso e a escalada da inflação, a CGT governista, a ala da central sindical que está alinhada com a presidente Cristina, declarou estado de assembleia permanente para analisar a situação econômica, monitorando diariamente a evolução de preços. Esta ala sindical, comandada pelo metalúrgico Antonio Caló, espera a volta da presidente Cristina de Cuba, onde está para a cúpula latino-americana de presidentes, para expressar sua preocupação.
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,argentina-multa-por-aumento-de-precos,1124654,0.htm

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