domingo, 19 de janeiro de 2014

A origem da droga e o destino da aeronave

Resenha EB / Estadão.com.br
19 Jan 2014

Dia seguinte à apreensão de um helicóptero com 445 quilos de cocaína pura, a Polícia Federal afastou a possibilidade de envolvimento da família do, senador Zezé Perrella (PDT-MG), proprietária da aeronave, com tráfico de drogas. Mas o clã não ficou totalmente livre do inquérito e corre o j risco de amargar um prejuízo de cerca ! de R$ 3 milhões, já que a Justiça deverá | determinar o confisco definitivo da aeronave, um modelo Robinson R66.

O helicóptero, registrado em nome da empresa da família - Limeira Agropecuária e Participações Ltda. foi apreendido em 24 de novembro passado no município de Afonso Cláudio (ES). Quatro pessoas foram presas em flagrante, incluindo o piloto Rogério Almeida Antunes, então funcionário da Limeira e da Assembleia Legislativa de Minas, indicado pelo filho do sena-, dor, o deputado estadual Gustavo Per-relia (SDD). Logo após ser preso, ele declarou que a família não tinha relação com a droga apreendida.

- No dia seguinte, o superintendente da PF no Espírito Santo, Erivelton Leão de Oliveira, deu declarações também inocentando os políticos.

A polícia ainda tenta identificar o homem que antes da apreensão pagou R$ í 500 mil pela propriedade, avaliada em R$ 100 mil, onde a aeronave deveria aterrissar ~ pousou na fazenda vizinha porque o terreno é muito inclinado. "Essa pessoa pagou em dinheiro. Não é um laranja qualquer. É operacional", contou uma fonte ligada à investigação.

A investigação apura as ligações do suspeito e se ele mantinha relação com Alexandre José de Oliveira Júnior, de 26 anos, que era o copiloto da aeronave e também foi preso em flagrante. Oliveira é dono de uma escola de aviação que atualmente se encontra em situação irregular, mas que teria uma frota de oito helicópteros. Apesar das pistas, a origem da droga permanece um mistério. "Eles (a família Perrella) não têm absolutamente nenhum conhecimento dos fatos. É a única coisa certa até agora no inquérito", afirmou a advogada Roberta Castro, do escritório do criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, contratado por Zezé Perrella para representar a família.

Derrota. Independentemente do rumo da investigação, a família Perrella já sofreu o primeiro revés no caso. A Justiça rejeitou o pedido de restituição do helicóptero e determinou que ele fique à disposição do governo do Espírito Santo. A decisão do juiz Marcus Vinícius Figueiredo de Oliveira Costa, dai. A Vara Federal Criminal de Vitória, entretanto, não é definitiva.

A defesa da Limeira chegou a pedir para que Gustavo Perrella ficasse como depositário fiel do helicóptero, mas o Ministério Público Federal deu parecer contrário ao pedido e se posicionou favorável a manter a aeronave parada e permitir apenas que os donos fizessem a manutenção. Segundo o MPF, "a investigação ainda não foi concluída" e seria "prematuro afirmar categoricamente a existência de boa-fé" dos proprietários.

O juiz Oliveira Costa ressaltou que a aeronave "evidentemente interessa ao processo enquanto não estiverem ultimadas as fases de investigação policial e instrução criminai". Ele ressaltou que, nos autos, "não está devidamente comprovado" que a aeronave tenha sido integralmente periciada.

"Parece que não houve muita boa-fé. Mesmo sem saber da droga, ele autorizou o frete sabendo que (a aeronave) não podia ser usada para | aquilo", observou um dos envolvidos na apuração. A fonte se referia a . Gustavo Perrella. O deputado estadual autorizou o piloto a fazer "frete de passageiros", segundo mensagens trocadas por eles pelos telefones- celulares, apesar de não haver ] autorização da Agência Nacional de i Aviação Civil (Anac) para que a aeronave fosse usada para este fim. Essas mensagens são parte dos indícios usados pela PF para inocentar os Perrella da acusação de tráfico. "O; envolvimento dos proprietários da | empresa dona do helicóptero foi descartado em decorrência de prova técnica", afirmou a PF em nota.

A polícia negou "pressa" para inocentar os políticos e declarou que, no início do inquérito, "exauriu" todas as linhas de investigação "face à possibilidade de essa questão alterar o foro competente". Se a PF apontasse indício da participação de Gustavo Perrella, o caso seria enviado ao Tribunal Regional Federal da 2.a Região. Na possibilidade de envolvimento de Zezé Perrella, a competência seria do Supremo Tribunal Federal.

Rotina. Enquanto a decisão final não sai, o governo capixaba já se prepara para usara aeronave, que ficará a cargo do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo, em operações de rotina. "Se tiver condições técnicas, vamos usar (a aeronave) em patrulhamento de rodovias, atendimento de acidentes e outras ocorrências", disse o secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo, André Garcia. "Concordamos em deixar com o governo porque é um fim social importante. Mas, no fim do inquérito, vamos querer buscar o helicóptero de volta. É um direito absolutamente claro e cristalino", afirmou o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro.
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