quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

63% de endividados

Clipping MP / Correio Braziliense / VICTOR MARTINS
- 23/01/2014

As famílias brasileiras estão penduradas no cartão de crédito. Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) revelam que 75,9% delas têm dívidas com as operadoras do segmento. Comparado a janeiro do ano passado, houve um aumento de quase 2 pontos percentuais. A modalidade é a que mais causa endividamento no país; em segundo lugar, estão os carnês de lojas do varejo, que respondem por 16% das contas dos consumidores. O financiamento imobiliário, considerado por especialistas como investimento por ajudar a construir um patrimônio, está no fim da lista dos gastos que mais dominam o orçamento: apenas 7% estão comprometidos com esse tipo de pagamento.

O aumento dos juros de operações de crédito, segundo a CNC, fez crescer o número de famílias com débitos. Em janeiro, 63,4% estavam comprometidas com algum parcelamento. No mês anterior, o número era menor: 62,2%. Ainda assim, a inadimplência (dívida com mais de 90 dias de atraso) permaneceu em baixa. Entre os entrevistados pela entidade, 6,5% declararam não ter condições de honrar os compromissos — comparado a dezembro de 2013, houve um ligeiro recuou de 0,1 ponto percentual. As expectativas para o primeiro trimestre do ano, no entanto, são de piora no número de calotes. “Durante o ano passado, houve um aumento expressivo de lares endividados, e esse número permanece em um nível elevado”, observou Marianne Hanson, economista da CNC.

Para Luiza Rodrigues, do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), a inadimplência, porém, tem relação maior com maus hábitos financeiros do que com renda menor. “De maneira geral, os estudos sugerem que os consumidores adimplentes adotam práticas financeiras mais cautelosas e conservadoras, independentemente da classe social a qual pertencem. Isso inclui hábitos como o de planejar os gastos, poupar dinheiro para uma emergência e o de não emprestar o próprio nome a terceiros”, explicou.

Segundo uma pesquisa do SPC, o brasileiro tem se endividado pelos motivos errados: 59% já ficaram no vermelho por conta de gastos que não precisavam ter feito e 69%, em alguma ocasião, fizeram compras apenas para se sentir mais fortes, ricos ou poderosos. Os consumidores também não têm o hábito de fazer poupança. Pelo estudo, 42% declararam não ter qualquer valor guardado.

» Peso argentino despenca

O governo argentino desvalorizou ontem a moeda do país, o peso, em 3,5% ante o dólar. Assim, a divisa norte-americana chegou a 7,15 pesos — na terça-feira, havia fechado em 6,33 pesos. A medida é uma resposta da equipe econômica de Cristina Kirchner ao aumento intenso do dólar paralelo, chamado de blue, que subiu 2,10%, chegando aos 12,15 pesos. Na aparição pública que fez ontem, a presidente não comentou a movimentação da divisa, mas o seu chefe de gabinete, Jorge Capitanich, enfatizou que, se preciso, acionará a Justiça para conter o mercado paralelo. “Essas transações ilegais são feitas com o objetivo de gerar um mecanismo de depreciação da moeda para permitir a compra de bens móveis e imóveis a preço de custo, o que afeta a riqueza de todos os argentinos”, comentou.
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2014/1/23/63-de-endividados/?searchterm=

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