quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Start-Up Brasil vai 'acelerar' 62 empresas

Clipping MP / O Estado de S. Paulo / Ligia Aguilhar
- 19/12/2013

Até 2015, programa do governo federal pretende fomentar cerca de 300 negócios

Em 2011, o engenheiro André Nazareth, de 28 anos, se juntou com três amigos recém-formados para idealizar um aplicativo de comparação de preços em supermercados. A ideia conquistou o apoio do Buscapé, que investiu R$ 300 mil para ajudar o aplicativo Meu Carrinho a sair do papel. Ontem, a solução criada pelos jovens empreendedores ganhou um novo incentivo: o negócio foi uma das 62 empresas selecionadas na segunda chamada do programa Start-Up Brasil.

Criado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) como parte do Programa Estratégico de Software e Serviços de Tecnologia da Informação (TI Maior), o Start-Up Brasil tem o objetivo de acelerar o desenvolvimento de novas empresas de tecnologia no País. A iniciativa oferece para as startups (empresas iniciantes) até R$ 200 mil em bolsas do CNPq ao longo de um ano para pagamento de salários, além investimento privado e serviços para desenvolvimento do negócio por meio de uma das nove aceleradoras de empresas parceiras do programa.

O segundo processo seletivo divulgado ontem aprovou 53 startups nacionais e nove estrangeiras entre um total de 709 projetos inscritos. No edital anterior, que teve o resultado divulgado em julho, foram 52 startups selecionadas. Até 2015, o projeto pretende acelerar e fomentar 300 empresas.

"Tentei conseguir a bolsa no primeiro edital, mas o projeto não foi aprovado. Reconhecemos algumas deficiências no modelo apresentado da primeira vez, corrigimos e submetemos novamente", diz Nazareth, para quem a participação no programa é uma chance de ter dinheiro e suporte para fazer seu negócio ganhar escala.

Das 53 empresas nacionais selecionadas na segunda chamada, 79,4% são das regiões Sul e Sudeste. Entre as internacionais, três são da Argentina e duas, dos Estados Unidos. Chile, Holanda, índia e Reino Unido têm um representante cada.

Internacional. O Start-Up Brasil foi inspirado em modelos internacionais bem-sucedidos como o Startup Chile. As primeiras 52 empresas selecionadas começaram a receber os benefícios do programa em agosto e já apontam resultados obtidos e melhorias que podem ser feitas para as próximas edições.

Uma delas é a Eventick, plataforma criada no Recife para venda e gerenciamento de ingressos para eventos. Cirdes Henrique, um dos cofundadores da startup, diz que o programa forneceu recursos para a empresa abrir um escritório em São Paulo. "Passamos a estar perto dos nossos clientes do Sudeste, onde o mercado na área de eventos é bem maior."

Mas a empresa teve dificuldade para aprovar a bolsa no CNPq. "Eles estão acostumados com pesquisadores e não com empreendedores. Nem todo empreendedor segue carreira acadêmica, é difícil comprovar a experiência exigida."

Luciana Galetti, cofundadora de outra startup selecionada, a Love Mondays, enfrentou o mesmo problema porque os cofundadores do negócio, que são irlandeses, tiveram dificuldades para obter a documentação necessária para abrir uma conta no banco. O início do pagamento dos salários começou apenas este mês, três meses depois do previsto. Apesar do problema, a startup destaca como positivo o apoio da aceleradora para melhoria do modelo de negócio. "O programa ajudou minha empresa a amadurecer."

O diretor operacional do Start-Up Brasil, Felipe Matos, diz que mudanças estão previstas para o próximo edital de seleção, a ser lançado em março. "Estamos compilando os aprendizados para incorporá-los na forma de melhorias." Algumas mudanças previstas são impedir a participação de empresas que já tenham vínculo com alguma das aceleradoras do programa, além da inclusão de uma linha especial de investimento para startups da área de defesa e cibersegurança, como antecipou ao Estado o secretário de Políticas de Informática do MCTI, Virgílio Almeida.
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