sábado, 14 de dezembro de 2013

Segurança de carros divide o governo

Resenha EB / Correio Braziliense / VICTOR MARTINS e SIMONE KAFRUNI
14 Dez 2013

A exigência de que veículos sejam equipados com air bags e freios ABS gera confronto no Executivo. Enquanto o Ministério das Cidades reafirma que a regra entrará em vigor em janeiro, o da Fazenda negocia adiamento com as montadoras

A tensão está instalada no governo. O Ministério da Fazenda decidiu peitar o Conselho Nacional de Trânsito (Conatran) e o Ministério das Cidades. Está negociando em separado a implementação de itens de segurança nos carros com representantes da indústria automobilística. Diante da guerra não declarada entre ministros, a presidente Dilma Rousseff terá de arbitrar se, a partir de 1º de janeiro, todo veículo fabricado no país sairá de fábrica com air bags e freios ABS. Porém, a principal barreira à proteção extra aos motoristas é política e está em São Bernardo do Campo (SP). Com a exigência dos equipamentos, as linhas de produção obsoletas da Kombi, do Gol G4 e do Uno Mille serão interrompidas. Quase 8 mil empregos ficariam ameaçados em ano eleitoral e, pior, quase todos na região que é o berço do PT.

Depois da declaração do titular da Fazenda, Guido Mantega, de que pretende adiar para 2016 a entrada em vigor da decisão do Conatran, o Ministério das Cidades e o órgão regulador de trânsito emitiram nota desmentindo o ministro. "O Ministério das Cidades/Denatran desconhece qualquer decisão contrária às Resoluções 311/2009 e 312/2009 do Conselho Nacional de Trânsito", informou o documento. "Portanto, está valendo a determinação do Conselho para que os fabricantes equipem com air bags e freios ABS os novos veículos colocados no mercado a partir de janeiro de 2014." Dilma chegou a repreender Mantega por ele ter declarado, antes que as negociações avançassem, que a norma poderia ser postergada.

Justificativa

A indústria, apesar da afirmação do órgão regulador e da proximidade da data limite, continua a operar normalmente as linhas de produção ameaçadas. Ontem, a Fazenda informou que, na próxima terça-feira, Mantega terá reunião com representantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) quando espera bater o martelo em torno da questão. A expectativa do setor é de que seja definida uma solução intermediária, pela qual apenas 80% dos carros fabricados no próximo ano sairiam da fábrica com os novos itens. A justificativa é de que as montadoras precisam de mais tempo para se adaptarem à exigência, embora tenham conhecimento dela há quatro anos, e pouco tenham feito, nesse período, para cumprir uma regra que já vigora em todo o mundo civilizado.

Mantega alega que proporcionar mais segurança no trânsito aos brasileiros teria impacto na inflação. Segundo ele, a mudança pode encarecer os carros em R$ 1,5 mil. "Esse acordo que o ministro está anunciando, por enquanto, é só vontade dele. Ele não pode decidir. No máximo, pode tentar convencer o governo", observou Paulo César Marques, professor da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em transporte.

O governo estuda ainda reduzir o Imposto de Importação (II) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos equipamentos de segurança, o que tornaria os itens mais baratos e amenizaria o alegado aumento de preço dos carros. "O ministro fala em adiar, mas, com certeza, o carro dele tem air bag e freio ABS", ironizou Luiz Carlos Augusto, sócio-diretor da DDG Consultoria. "O governo tem mecanismos para diminuir o preço. E, se a indústria ganhar escala, o custo ficará baixo", ponderou.

O risco de a norma não ser colocada em prática revoltou os donos das Kombis Last Edition, vendidas a mais de R$ 80 mil por serem a última versão do veículo. A Volkswagen pode ser obrigada a receber os utilitários de volta para não ser acusada de propaganda enganosa. Os brasileiros em busca de carro novo começam também a evitar adquirir veículos sem air bag e freio ABS por temer uma queda de preço no momento de revendê-los.

Nas concessionárias da marca, o clima é de incerteza. "Disseram-nos que a Kombi ia sair de linha, mas agora voltou a aparecer no sistema", disse Nei Carlos, vendedor da Brasal. O Gol G4 também deixará de ser fabricado, tanto que entrou em liquidação. "O carro custava R$ 23.990 e passou para R$ 21.990 para desovar os estoques. O nosso já está quase acabando porque o modelo vende bem", destacou.

Marcelo Andrade, coordenador comercial do Grupo Saga, observou que o Uno Mille tem um projeto muito antigo. "Não há como adaptá-lo, mas não sabemos se a Fiat vai tirá-lo de linha, porque é o carro-chefe da marca, o segundo mais vendido no país junto com o Novo Mille", destacou.

Segundo o gerente de vendas da Ford Slaviero, Antônio Cordeiro, o Ford Ka vai sofrer alterações a partir de maio porque não tem problemas técnicos para receber os itens de segurança. "A montadora se planejou para a mudança. Temos pouco estoque, mas a demanda continua alta. Só não sabemos ainda qual será o preço depois das alterações", explicou.

Estrangeiros aplaudem

As revendas de importados gostaram da medida que exige equipamentos de segurança nos carros. Todos os veículos delas já saem de fábrica com air bags e freio ABS. O gerente regional da chinesa JAC Motors, Mauro Silveira, acredita que as marcas tradicionais terão de reduzir margens de lucro para manter a competitividade. "Eu tenho o menor custo-benefício. Se os concorrentes inflacionarem os valores, vamos conquistar mais mercado", afirmou.
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