quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Mandato devolvido a Jango

Clipping MP / Correio Braziliense / DANIELA GARCIA
- 19/12/2013

Em solenidade no Senado, Congresso entrega diploma que anula a sessão que retirou o ex-presidente do cargo, em abril de 1964

O Congresso devolveu ontem o mandato simbólico de presidente da República a João Goulart, deposto em golpe militar em 1º de abril de 1964. Em solenidade no Senado, João Vicente Goulart, um dos filhos de Jango, recebeu das mãos do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), um diploma representativo que anula a decisão que retirou o trabalhista do poder.

Emocionado, João Vicente também recebeu cumprimentos de autoridades, como a presidente Dilma Rousseff. Depois, na tribuna do plenário, ele afirmou que “o golpe militar de 1964 não foi contra João Goulart, mas contra as reformas que Jango queria implantar no Brasil”. A cerimônia estava prevista para a semana passada, mas acabou adiada devido às chuvas torrenciais no Rio de Janeiro, que impediram os familiares de Jango de chegarem a Brasília. Ministros também acompanharam a solenidade, além dos três representantes das Forças Armadas.

A solenidade começou com um discurso do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que recordou a sessão em que o então presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a Presidência da República, na madrugada de 2 de abril de 1964. “Foi dito apenas que o presidente estava em lugar incerto.” Amigo de Jango, Simon lembrou da busca pelo paradeiro do ex-presidente, que teve os direitos políticos cassados e acabou exilado com a mulher, Maria Tereza, na Argentina. Jango morreu aos 57 anos, em 1976, foi enterrado em São Borja (RS), terra natal do ex-preisdente.

“Triste mancha”

O senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP) destacou que o ex-presidente não teve direito a um funeral com honras de Estado, naquela época. Segundo ele, poucos brasileiros amaram o Brasil como Goulart e sofreram tanto fora do país. João Vicente, o filho de Jango, afirmou que a solenidade reparou a “triste mancha” e o equívoco praticado pelo parlamento brasileiro, em 1964, que legalizou a ditadura e concordou com “a ruptura institucional da pátria e a instalação do Estado de exceção”. “Jango, hoje, parte como homem. Fica o Jango das reformas. Fica o Brasil unido na concórdia e na reflexão da história. A democracia venceu.”

Entenda o caso

Perícia em Brasília

Peritos nacionais e internacionais trabalham para descobrir a causa da morte de Jango, suspeito de ter sido vítima de envenenamento. Os restos mortais do ex-chefe de Estado foram exumados em 13 de novembro deste ano em São Borja (RS) e seguiram para análises no Instituto de Criminalística da Polícia Federal, em Brasília. Até o momento, não foram divulgados os resultados dos exames pela Secretaria de Direitos Humanos, que comandou a operação.

Em 14 de novembro, os restos mortais foram recebidos na Base Aérea de Brasília em uma solenidade com honras de chefe de Estado, que contou com a participação de Dilma Rousseff e dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Collor de Melo e José Sarney.

Em 21 de novembro, o Congresso decidiu anular a sessão da madrugada de 2 de abril de 1964, que declarou vaga a Presidência da República. Em 6 de dezembro, os restos mortais de João Goulart voltaram para São Borja e foram sepultados com honras de chefe de Estado.
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