quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Governo da Venezuela propõe elevar preço da gasolina congelado desde 97

Clipping MP / O Estado de S. Paulo / EFE, REUTERS e AP
- 18/12/2013

CARACAS

O governo da Venezuela está disposto a reajustar o preço da gasolina, uma medida altamente impopular no país, que não é tomada desde 1997. O anúncio foi feito na madrugada de ontem (no horário de Brasília) pelo ministro do Petróleo e vice-presidente para a área econômica, Rafael Ramírez. Segundo ele, o preço do litro da gasolina deve ir de 0,07 bolívar para 2,7 bolívares.

Levando-se em conta o câmbio oficial, de 6,30 bolívares por US$ 1, a alta equivaleria a um aumento de US$ 0,01 para US$ 0,43 por litro.

Segundo Ramírez, a estatal petrolífera PDVSAperde anualmente US$ 12,6 bilhões com o subsídio à venda de gasolina na Venezuela, país onde o combustível é o mais barato do mundo. O preço do litro, diz o ministro, é 28 vezes menor do que o custo de sua produção.

"Neste país não se paga pela gasolina. A PDVSA paga para que se encha o tanque", disse Ramírez. "Esse subsídio não favorece o povo. É um subsídio que promoveu o desfile em nosso país dos carros menos econômicos do mundo."

O ministro do Petróleo ressaltou que não há nenhum pacote de medidas econômicas previsto pelo governo de Nicolás Maduro e garante que a empresa teria condições de manter o subsídio. Na opinião dele, no entanto, isso não faria sentido. "Temos aguentado e podemos aguentar um pouco mais", disse. "A PDVSA está estudando um número que lhe permita cobrir os custos. Entre 2,40 e 2,70 bolívares. Vamos ver. Estamos propondo um debate."

Ainda de acordo com Ramírez, o subsídio onera o governo. "Não é uma perda para a PDVSA, mas para a nação, que poderia estar aplicando esses recursos em alimentos", acrescentou. O mercado interno de combustível consome 700 mil barris de petróleo por dia, além de outros 100 mil que, estima-se, sejam contrabandeados para países vizinhos, principalmente a Colômbia.

"Com que moral o governo pode aumentar um centavo que seja a gasolina para os venezuelanos, se ela é dada ao regime cubano", declarou a deputada da oposição Maria Corina Machado, referindo-se aos 115 mil barris de petróleo que Caracas envia diariamente à ilha em troca de serviços médicos, educativos e esportivos.

A PDVSA é a principal responsável pela entrada de dólares no caixa do governo venezuelano e 96% de sua receita é de moeda estrangeira. Por isso, sua saúde financeira é fundamental para melhorar o nível das reservas internacionais do país e da oferta de dólares para a importação de alimentos.

Nos últimos meses, a escassez de dólares provocou um forte aumento da inflação, que em 12 meses chega a 54%. O governo atribui esse aumento à especulação de empresários ligados à oposição venezuelana.

O Banco Central da Venezuela (BCV) ainda não divulgou a inflação de novembro, que, segundo regimentos internos, deveria ter sido entregue nos dez primeiros dias de dezembro. Contra a chamada guerra econômica, Maduro anunciou uma série de medidas como congelamento de preços e endurecimento nas regras para a venda de dólares.

Analistas venezuelanos estimam que, depois da vitória nas eleições municipais, e sem novas votações à vista no próximo ano, Maduro anunciará uma série de medidas impopulares nos próximos meses, entre elas a desvalorização do bolívar, que poderia chegar a 17 por US$ 1.
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