sábado, 21 de dezembro de 2013

Defesa nacional - Ex-embaixador dos EUA diz que Casa Branca ficou desapontada

Clipping MP / O Globo  /  Flávia Barbosa
 - 20/12/2013

Washington- Um dos braços-direitos do secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, o ex-embaixador americano no Brasil Thomas Shannon afirmou ontem que a Casa Branca está decepcionada com a escolha dos caças suecos na licitação da Força Aérea Brasileira (FAB). Para Shannon, que acompanhou a maior parte das negociações de Brasília, a Boeing fez excelente trabalho para vender os jatos F-18 e, por isso, os EUA estavam confiantes. Ele não descartou a conexão entre o escândalo de espionagem dos EUA contra brasileiros, inclusive a presidente Dilma Rousseff, e a derrota da Boeing.

— Obviamente, estamos muito desapontados com o resultado, estávamos esperançosos, porque a Boeing fez um trabalho magnífico. Mas dou meus parabéns aos suecos e à FAB, é algo que eles (da FAB) queriam há muito tempo.

A avaliação do Departamento de Estado dos EUA é que a escolha dos caças I da Boeing traria mais ganhos para o Brasil, ao permitir a coprodução e a transferência de tecnologia de ponta. Porém, Shannon, que deixou o posto em Brasília em setembro para trabalhar como conselheiro sênior de Kerry, garantiu que o episódio não afetará a cooperação com o Brasil na área de Defesa:

— Isso não vai afetar nossa relação de longo prazo com a FAB, uma grande força; o brigadeiro (Juniti) Saito (comandante da Aeronáutica) é um grande homem, um bom amigo e está comprometido com a efetividade do processo (de compras da Aeronáutica) — afirmou o diplomata, em palestra sobre as relações Brasil-EUA no Brazil Institute do Wilson Center, em Washington.

Shannon admitiu que o caso Edward Snowden pode ter contribuído para a Boeing ter sido preterida na licitação:

— Você tem que perguntar ao governo brasileiro. O ministro Celso Amorim (Defesa) foi perguntado e disse que não — disse, dando de ombros.

O ex-embaixador reconheceu que a descoberta da vigilância de pessoas e empresas brasileiras, incluindo Dilma, impôs um freio às relações bilaterais:

— Reconheço a seriedade do assunto e o impacto na relação, especialmente na forma como os brasileiros entendem essa relação (...) Isso levanta diferentes imagens. O ex-chanceler Antonio Patriota disse que o caso impôs uma sombra à relação, outros falaram sobre confiança e respeito.

Nesse contexto, foi positiva, aos olhos americanos, a reação de Dilma à carta de Snowden pedindo asilo no Brasil. Na quarta-feira, ela afirmou que o país não tem o que comentar a respeito.

— Estamos muito satisfeitos com a forma com a qual o governo brasileiro lidou com o assunto — disse Shannon.

Para Shannon, cabe à Casa Branca o esforço maior para distensionar o clima com o Palácio do Planalto, o que pressupõe a continuidade do diálogo entre os presidentes Barack Obama e Dilma e uma revisão dos procedimentos da NSA (Agência de Segurança Nacional americana). Porém, considerou que houve exagero na reação aos documento 5 vazados, fomentado pelo que considera "exploração política" do caso pelos apoiadores de Snowden. E sugeriu que a indignação brasileira foi ampliada porque o país tem um serviço de inteligência pouco desenvolvido:

— É algo (monitoramento) que o Brasil faz muito precariamente, por causa de sua história interna e do tamanho relativamente pequeno dos seus serviços de espionagem. O Brasil não tem um serviço de inteligência equivalente às suas ambições globais. Para tê-lo, precisa realmente construir relações com os serviços globais de inteligência capazes de ajudá-lo em certas coisas e de fornecer os serviços de que o país precisa — avaliou o ex-embaixador.
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