sábado, 21 de dezembro de 2013

Críticas à autonomia limitada dos Gripens

Clipping MP / Correio Braziliense / LEANDRO KLEBER
- 20/12/2013

Especialista em segurança internacional avalia que os caças suecos têm um raio de alcance pequeno para um país de dimensões continentais.  Avião pode voar 1.300 km sem abastecer

Apesar da demora do Brasil em definir qual modelo de caças compraria, o que acabou deixando o espaço aéreo protegido por aviões considerados obsoletos, especialistas do setor consideram acertada a escolha pela transferência de tecnologia, mas veem um defeito: raio de alcance da aeronave sueca é limitado, principalmente pelo fato de o Brasil ter dimensões continentais. O caça consegue voar somente 1,3 mil quilômetros sem precisar ser reabastecido. Mesmo com a derrota, nem os Estados Unidos, nem a França deverão fazer qualquer tipo de retaliação em relação ao Brasil, até porque o mercado civil nacional é grande e promissor.

“O Gripen anterior tinha raio de atuação muito pequeno, de 800 km. Isso é perfeito para países como a Suécia, a África do Sul e a República Tcheca, por exemplo, mas não para o Brasil. Mesmo o novo Gripen, com alcance estendido de 1,3 mil km, ainda não é o ideal”, diz Gunter Grudzit, especialista em segurança internacional e professor de relações internacionais da Faculdade Rio Branco, de São Paulo.

Segundo ele, os americanos, preteridos pela presidente Dilma Rousseff, não saem perdendo tanto quanto se imagina. Ele lembra que o Gripen tem tecnologia e peças dos Estados Unidos. “A turbina, por exemplo, é patente americana. Não se pode perder de vista que existem outros projetos e que ainda serão negociados. Eles não saíram totalmente do páreo, principalmente em questão de software e tecnologia”, ressalta.

De acordo com Grudzit, o setor militar brasileiro precisará, nos próximos anos, de outros equipamentos, como na área de comunicação, por exemplo. “Vários contratos estão sendo assinados e passam longe da grande mídia. Daí pode ter a possibilidade de parcerias entre empresas americanas e brasileiras”, acredita.

Livre dos royalties
Pelo que o ministro da Defesa, Celso Amorim, disse na quarta-feira, as patentes dos itens fechados nos contratos serão repassadas às empresas brasileiras. Isso fará com que o Brasil não tenha de pagar royalties no futuro. “Isso é fantástico para a Embraer desenvolver por aqui”, comenta Grudzit.

Uma outra crítica pontual levantada por observadores da aviação militar é a respeito da defasagem tecnológica dos caças, já que fazem parte da quarta geração, e já existem os de quinta geração. “Isso não é problema. Não existe nenhuma previsão para curto espaço de tempo de que o Brasil vai enfrentar qualquer outro país com equipamentos de quinta geração”, afirma Grudzit.

Até 31 de dezembro, os caças Mirage, que compõem o aparelhamento brasileiro de segurança com os F-5 e os supertucanos, serão aposentados. Os F-5, modernizados por empresas brasileiras e israelenses, farão a vigilância do espaço aéreo nacional. Os próprios militares admitem que a situação temporária está longe da ideal.

Deu no...

The New York Times
O jornal relata a escolha dos caças suecos em detrimentos dos americanos como uma “decepção” para a Boeing. O NYT lembra que a decisão brasileira ocorre “em um momento de crescente tensão entre os Estados Unidos e o Brasil” devido às revelações de espionagem por parte da Agência de Segurança dos EUA a chefes de Estado pelo mundo, incluindo a presidente Dilma Rousseff.

El Pais

O periódico espanhol escreve que a negociação brasileira ocorreu em meio a uma “grande pressão” dos países que gostariam de vender seus caças ao governo Dilma. O jornal avalia que os Estados Unidos eram os mais cotados na concorrência, mas que relação “ficou manchada após a descoberta, em agosto deste ano, que o país de Barack Obama estava espionando o governo brasileiro”.

Affarsvarlden

O jornal sueco afirma que a empresa Saab foi a vencedora da Bolsa de Estocolmo “após levar para casa a aquisição brasileira de aviões de caça”. As ações da Saab subiram em 30%. O diário ouviu o chefe da aeronáutica da empresa, Lennart Sindahl, que afirmou que o Brasil fez uma avaliação completa ao escolher os Gripens. Além disso, ele avalia que a marca se fortalece em outros mercados pelo mundo.

Le Monde

O jornal chama a atenção para o fato de que o governo francês ainda espera negociar a venda dos Rafales à Índia e ao Catar, que devem anunciar os seus negócios em 2014. O ministro da Defesa francês, Yves Le Drian, declarou que “o Brasil não foi o nosso principal alvo”. Drian disse haver “boas razões para acreditar que nos dois países, em breve, haverá bons resultados”.

Análise da notícia

A vitória dos EUA

LEONARDO CAVALCANTI

Por mais que o governo brasileiro tenha dado todos os sinais de que escanteou a Boeing por causa do escândalo da espionagem dos EUA, o resultado da transação comercial favoreceu os norte-americanos. Na prática, a escolha dos suecos da Saab pode ser considerada a vitória de um lobby controverso, em que estava em jogo a derrota do caça francês da Dassault.

Reportagem do Correio publicada no último dia 13, na semana da visita do presidente francês François Hollande, mostrou que funcionários do Planalto admitiam a pressão dos norte-americanos contra o Rafale (França). “Eles chegaram a dizer: se não quiserem levar o F/A-18 (EUA), escolham o Gripen (Suécia)”, afirmou um servidor brasileiro, durante encontro com os franceses.

A lógica por trás da frase é mais ou menos a seguinte: do lado norte-americano, perder a disputa para os franceses seria o pior dos mundos, afinal a Boeing é concorrente direta da Dassault. Algo como uma dupla derrota, o que não ocorreria no caso de sucesso dos suecos, considerados jogadores de porte um pouco menor, casos comparados com o F/A-18 e o Rafale.

Além da disputa de mercado, os norte-americanos ainda comemoram o fato de que componentes do Gripen, como a turbina, são fabricados nos EUA. Assim, o governo Dilma pode até dizer que deu o troco no pessoal de Obama, mas o fato é que os norte-americanos não estão assim tão tristes ou mesmo magoados. E o Planalto sabe disso.
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2013/12/20/criticas-a-autonomia-limitada-dos-gripens/?searchterm=

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