sábado, 21 de dezembro de 2013

Conflitos aumentam instabilidade na África

Resenha EB / O Globo
21 Dez 2013

Não foram somente a morte e o funeral de Nelson Mandela que chamaram a atenção para a África neste final de ano. Conflitos violentos, com muitas mortes, eclodiram em países com instituições frágeis, governos corruptos e intensa rivalidade entre grupos étnicos e religiosos.

O caso mais recente é o do Sudão do Sul, o mais jovem país do mundo, separado do Sudão em 2011. A situação se deteriorou depois que o presidente Salva Kir, da etnia dominante Dinka, acusou o ex-vice, Riek Machar, da etnia Nuer, de tentar dar um golpe de estado. Anteontem, um dos lados atacou uma base das forças de paz da ONU, matando soldados. Cerca de 30 mil civis estão refugiados em outras instalações da organização, e há temor de uma guerra civil generalizada. Informes extraoficiais falam em mais de 500 mortos até agora.

A República Centro-Africana (RCA), uma pobre ex-colônia francesa, mereceu a visita nos últimos dias do presidente da França, François Hollande, que foi ao enterro de dois militares de seu país, e da embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, que alertou: "A Somália ensinou-nos o que pode acontecer num estado falido, e Ruanda, o que pode ocorrer num país profundamente dividido." Referia-se ao genocídio de 1994 em Ruanda, onde 500 mil pessoas foram massacradas.

A frágil RCA vive uma onda de saques, estupros e massacres desde que a milícia predominantemente muçulmana Seleka tomou o poder de um presidente cristão, em março. Há mais de 700 mil refugiados. Ontem, milícias cristãs atacaram áreas muçulmanas na capital, Bangui, e a França, que já enviou 1.600 soldados, pediu ajuda dos parceiros europeus para deter o conflito. Até agora sem sucesso.

A França também interviera recentemente na ex-colônia do Mali, onde estourou em janeiro um conflito reunindo povos tuaregues e grupos islâmicos fundamentalistas, com o objetivo de obter a independência da região Norte.

A instabilidade africana aumentou depois que, além dos costumeiros golpes de estado e conflitos étnicos-religiosos, entraram em cena grupos radicais islâmicos, muitos ligados à al-Qaeda, provenientes da região do Magreb e ativos, por exemplo, na guerra na Líbia. Com a queda de Muamar Kadafi, integrantes desses grupos passaram a bater ponto em outros países e até fora da África, como no caso da guerra civil na Síria. A al-Qaeda tem forte presença no Iêmen e de lá "exporta" ativistas para outras regiões. Grupos criados com essas características no Mali e na Somália realizaram ataques sangrentos este ano - em abril, num complexo de gás e petróleo na Argélia e, em setembro, num shopping center em Nairóbi, Quênia.

O mundo corre riscos com a conversão de países falidos, como a Somália, ou frágeis, como a RCA, em plataforma de lançamento de radicais islâmicos prontos para matar e morrer.
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