segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Brasil está mal na foto da economia

Resenha EB / Correio Braziliense
16 Dez 2013

Visão do Correio

Governantes costumam considerar entre seus deveres de ofício a tarefa de manter o otimismo sob qualquer circunstância. Mais ainda quando se trata da economia do país. É compreensível que o discurso oficial procure valorizar aspectos positivos da conjuntura e minimizar os dados que revelam fracassos. Os motivos para a sociedade se preocupar surgem quando passa da conta a distância entre o discurso oficial e a realidade, sem que se percebam medidas concretas para acelerar a aproximação entre esses dois polos.

Em vez disso, é comum a autoridade acuada pelo mau desempenho tentar afrouxar metas que ela mesmo estabeleceu, além de cair na tentação de culpar agentes de fora do governo e de apelar para o álibi dos fatores externos. Foi assim que, na semana passada, o governo reagiu ao constrangimento de ver fechar o terceiro ano seguido de baixo crescimento do PIB e de inflação acima da meta. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, por exemplo, identificou em "duas pernas mancas" a razão de o país não estar crescendo no ritmo prometido pelo próprio governo.

O crédito ao consumidor seria uma das pernas claudicantes; a crise internacional, a outra. No entanto, qualquer um sabe que, mesmo a oferta de crédito tendo se reduzido um pouco ultimamente, nem de longe se pode alegar falta de financiamento para animar o consumo. A esta altura, preocupa o fato de a principal autoridade da equipe econômica ver mais problema no consumo do que na oferta (produção).

Quanto à crise internacional, a neutralidade da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) se incumbiu de desmontar o álibi. Seus técnicos constataram que o recuo de 0,5% da economia brasileira no terceiro trimestre colocou o país na lanterna do grupo das 20 maiores economias (G-20).

De fato, o Brasil e a França foram os únicos do grupo que registraram crescimento negativo de julho a setembro. Ficamos abaixo da média do G-20, de 0,9%, e perdemos de países que estão no epicentro da crise, como Estados Unidos e Itália, e da União Europeia. Até a França, com 0,1% negativo, foi melhor do que o Brasil.

Foi, aliás, a França que mandou seu presidente ao Brasil na sexta-feira, em visita oficial. Ao recebê-lo, a presidente Dilma manteve a mensagem positiva: o país é confiável, tem firme compromisso com o equilíbrio fiscal, a inflação está controlada e dentro da meta. Não é o que mostram os índices oficiais: a inflação vai fechar o ano perto de 5,8%, bem acima da meta de 4,5%, e o superavit primário tem ocupado a criatividade dos contadores do Tesouro.

Confiável, por manter em desenvolvimento a sua jovem democracia — que garante a alternância no poder e o julgamento de criminosos importantes —, o Brasil não pode correr o risco de perder a avaliação positiva que conquistou no mercado internacional. Agências classificadoras de risco já ameaçam rever as notas do país. O ex-presidente do Goldman Sachs Jim O'Neal, famoso por criar o termo Bric, já pensa em retirar o país do acróstico, se o crescimento de 2014 repetir o de 2013. Em vez de discursos, a hora é, pois, de ação.
http://www.eb.mil.br/web/imprensa/resenha?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-3&p_p_col_count=1&_56_groupId=18107&_56_articleId=3974790&_56_returnToFullPageURL=http%3A%2F%2Fwww.eb.mil.br%2Fweb%2Fimprensa%2Fresenha%3Fp_auth%3D6vEv5yK9%26p_p_id%3Darquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d%26p_p_lifecycle%3D1%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3Dcolumn-3%26p_p_col_count%3D1%26_arquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d_mes%3D12%26_arquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d_ano%3D2013%26_arquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d_data%3D16122013%26_arquivonoticias_WAR_arquivonoticiasportlet_INSTANCE_UL0d_javax.portlet.action%3DdoSearch#.Uq7dAtJDtIU

Nenhum comentário: