quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Brasil escolhe caça sueco

Resenha EB / O Globo / Chico de Gois e Jailton de Carvalho
19 Dez 2013

Compra de 36 aeronaves custará US$ 4,5 bilhões; primeiro deles estará pronto em 2018

Brasília- Depois de um processo que se arrastou por mais de 12 anos, o ministro da Defesa, Celso Amorim, anunciou ontem que o governo brasileiro comprará 36 caças Gripen NG, da fabricante sueca Saab. O pacote foi fechado por US$ 4,5 bilhões, um preço bem inferior ao estimado pelo mercado, que girava em tomo de US$ 7 bilhões. O primeiro avião só deverá estar pronto para voar em 2018.

O acerto dos detalhes do negócio pode levar até um ano, quando o contrato será assinado. Na maior concorrência na trajetória do Ministério da Defesa, a Saab desbancou o F-18 Super Hornet, da americana Boeing, e o Rafale, da francesa Dassault. O Gripen NG é uma nova versão, ainda em desenvolvimento, de outra aeronave, o Gripen CD, da mesma empresa, que já é usada por outros países. A FAB não descarta a possibilidade de utilizar provisoriamente o Gripen CD, enquanto o novo projeto não for concluído.

A decisão sobre o fim do processo de escolha dos caças foi anunciada pela presidente Dilma Rousseff, durante almoço com generais.

— Nós somos, de fato, um país pacífico, mas não vamos ser, de jeito nenhum, um país indefeso — disse a presidente no encontro, ao se referir à compra dos caças.

Depois coube a Amorim e ao comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, apresentar o nome do vencedor e os detalhes na negociação. Segundo Amorim, a escolha recaiu sobre os Gripen NG porque o modelo sueco apresentou um conjunto de vantagens em termos de performance, transferência de tecnologia e custo em relação aos dois outros concorrentes.

Dos três modelos que participaram da disputa, o Gripen NG é o único que nunca foi testado em operações. Por enquanto, a empresa sueca só dispõe de um protótipo com apenas 300 horas de voo. Para Amorim e Saito, a compra baseada apenas num protótipo não é nenhum problema para a Força Aérea Brasileira (FAB).

— O Gripen NG está voando. Tem um protótipo voando aí que é um protótipo conceituai. Mudaram posição do trem de pouso, mudaram o motor e ele está voando. Já tem mais de 300 horas de voo. Vamos desenvolver desde a planta. Nós vamos ter também, juntamente com a Suécia, a propriedade intelectuai 100% deste avião — disse Saito.

Amorim minimizou o fato de o avião estar ainda em fase de desenvolvimento:

— O avião mais provado é o que mais voou. Em compensação, é o avião com a tecnologia básica mais antiga. Pode até ser melhorada, mas a tecnologia é mais antiga. Este avião permite participar do desenvolvimento do projeto e ter a propriedade intelectual do projeto. Temos confiança de que vai funcionar bem — disse Amorim.

O comandante da Aeronáutica entende que o suposto risco seria, na verdade, uma vantagem. Ele argumenta que, pelas regras contratuais, 80% da estrutura dos caças serão produzidos no Brasil numa parceria da Saab com a Embraer e que, ao final, o governo brasileiro terá o domínio da tecnologia e da propriedade do novo modelo. Diz ainda que a experiência ajudará a indústria brasileira a dar um novo salto na produção tecnológica de aeronaves.

Saito disse que a presidente fez a escolha apenas em detalhes técnicos e não levou em consideração eventuais fatores políticos. Para ele, nem mesmo as recentes denúncias de espionagem do serviço de inteligência dos Estados Unidos contra pessoas e empresas no Brasil tiveram peso no resultado final.

— A presidenta mesmo disse que (espionagem) não influenciou absolutamente sobre a decisão — disse o brigadeiro.

Modelo era o preferido da cúpula da FAB

Depois de sucessivos adiamentos de um processo que teve início em 2001, a presidente chamou Amorim para uma conversa na terça-feira para informar que, finalmente, o disputa chegaria áo fim e que a vencedora da concorrência era a sueca Saab. Este é o modelo preferido dos pilotos e da cúpula da Força Aérea. Segundo um oficial da FAB, o F-18 teria um custo operacional 50% mais alto que o Gripen. No caso dos Rafales as despesas aumentariam em 100%.

Amorim observou que a parte tecnológica mais sensível é da Saab, embora o avião, como nos demais modelos, tenha componentes de outros países também.

— A tecnologia da construção é sueca, sim. Há componentes de outros países, como em qualquer tipo de avião. Esse é um aspecto que mereceu e continuará merecendo uma grande atenção do governo brasileiro. Um dos oferecimentos feitos pela Saab é a total abertura do código fonte do sistema de armas. Isso é absolutamente importante. Não estou dizendo que outros não fizeram isso. Não estou fazendo comparações. Isso é algo extremamente importante porque permite adicionar armamento nacional, modificá-lo de acordo com suas necessidades.

A partir de agora, a FAB deverá acertar detalhes do contrato. Os caças deverão ser produzidos em São Bernardo do Campo, com a participação de pelo menos 15 empresas.
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