quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Balões do Google podem levar internet à Amazônia

Resenha EB / Valor Econômico / Daniele Madureira
19 Dez 2013

A linha de transmissão de energia que liga a cidade de Tucuruí (Oeste do Pará) às capitais Manaus e Macapá, com cerca de 1,8 mil quilômetros de extensão, passa por trechos de floresta e atravessa o rio Amazonas. Mais do que levar energia, o "linhão", inaugurado neste ano, permite que o acesso à internet também chegue a localidades remotas. Mas não a todas. No ano que vem, essas comunidades poderão ser alcançadas por um sistema inusitado. Trata-se do projeto "Loon", do Google, que estabelece uma rede sem fio por meio de roteadores instalados em balões de gás hélio.

"O Google fez a proposta de instalar o balão na região e eles devem nos apresentar um projeto piloto até abril", disse o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, ontem, durante evento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), na capital paulista. Em outubro, Bernardo reuniu-se com Mohammad Gawdat, vice-presidente de inovação empresarial do Google X, a divisão futurística da empresa de internet.

Para atravessar o rio Amazonas, o governo construiu duas torres de 320 metros cada uma - altura semelhante à da torre Eiffel, em Paris, que tem 324 metros. "Mas o linhão passa ao Norte do rio e cidades ao Sul, como Itaquatiara, não são atendidas", afirmou o ministro. "Do ponto de vista financeiro e ambiental, não posso ficar construindo torres de 320 metros ao longo do rio; é preciso pensar em soluções alternativas, como a do Google."

Segundo o Google, o "Loon" foi testado apenas na Nova Zelândia, em um projeto piloto, e ainda não foi implementado comercialmente em nenhum lugar do mundo. Por meio do "Loon", o Google coloca na estratosfera, a 20 mil metros do solo, e acima dos aviões e das nuvens, uma série de balões com antenas que, levados pelas correntes de ar, flutuam ao redor da Terra. No solo são colocadas outras antenas que se conectam às dos balões para estabelecer o acesso à internet, com uma velocidade similar ou até maior à da rede 3G atual.

Incentivar a instalação de infraestrutura para levar internet e serviços de telefonia a locais de difícil acesso também estará entre as prioridades do leilão da faixa de 700 megahertz (MHz), destinada à expansão da rede de quarta geração (4G) de telefonia móvel no país, segundo Paulo Bernardo.

"Existem cerca de 2 mil municípios no país onde o backbone [infraestrutura principal de telecomunicações] não chega e, em pelo menos 1,8 mil deles, é possível levar rede de fibra óptica", afirmou Bernardo. Também é preciso levar a cobertura de telecomunicações para as rodovias de maior fluxo do país, disse o ministro. O governo está disposto a arrecadar menos no leilão da faixa de 700 MHz em troca de exigências de investimentos por parte das teles. "O leilão não terá um viés arrecadatório", disse o ministro. "É uma orientação da presidente Dilma."

Paulo Bernardo destacou a alta carga tributária que incide sobre o setor de telecomunicações no país. "É absurda, ultrapassa os 50% [da receita]", afirmou. Segundo ele, existe o projeto de isenção de carga tributária sobre a banda larga popular, que já foi implementada em São Paulo e outros 11 Estados. "Mas ainda precisamos levar esse projeto para o Brasil todo", afirmou.

Bernardo participou, ontem, da assinatura do acordo de cooperação científica e tecnológica entre o Ministério das Comunicações, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Fapesp. O convênio, no valor de R$ 100 milhões, tem o objetivo de apoiar projetos de pesquisa científica e tecnológica que contribuam para o desenvolvimento da internet no Brasil.

Segundo Virgilio Almeida, secretário de política de informática do MCTI e coordenador do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), os recursos são provenientes do pagamento de registro de domínios entre os anos de 1998 e 2005. "Esse dinheiro está na Fapesp, que recolhia e operava o sistema de registro de domínios, que depois passou a ser de responsabilidade do CGI.br", afirmou Almeida. Por domínio, são cobrados R$ 30.

De acordo com Almeida, os recursos serão distribuídos entre projetos apresentados por pequenas e médias empresas, pesquisadores e desenvolvedores de software. Os editais para participar dos projetos serão elaborados pela Fapesp e pelo CGI e estarão disponíveis no fim de fevereiro.

Serão selecionadas as melhores propostas dentro dos seguintes temas: tecnologias que tornam a internet mais viável (comunicação óptica, comunicação quântica, segurança de redes), aplicações avançadas da internet (transmissão em três dimensões), comunicação em rede e cultura digital (redes sociais), políticas relativas à internet, software livre e aplicações sociais (saúde, educação).
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