segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

5 Estados não têm hospital de ensino

Clipping MP / O Estado de S. Paulo / Victor Vieira
- 16/12/2013

Acre, Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins não contam com unidade credenciada ao MEC; Sudeste concentra 89 dos 180 locais do tipo

Cinco Estados do País - Acre, Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins - não têm nenhum hospital de ensino credenciado pelo Ministério da Educação (MEC). A Região Sudeste concentra 89 das 180 unidades - 45,4% do total - e quatro em cada dez estão em capitais. Hoje, há quase 220 cursos em atividade. Os números revelam a desproporção de espaços para formação prática de residentes e alunos, sob atenção do governo federal por causa da meta de expandir e interiorizar o ensino médico.

Além de bolsas a profissionais de saúde estrangeiros e graduados no Brasil para atuar nas periferias das grandes cidades e no interior, o programa Mais Médicos prevê a criação de 11.447 cadeiras em Medicina e 12 mil vagas em residência. O aumento da quantidade de gra-duandos na área acompanha a necessidade de mais locais para formação prática.

Na quarta-feira, o MEC deve divulgar a relação de municípios escolhidos para receber novos cursos de Medicina em instituições privadas, resultado de um processo seletivo iniciado em outubro com o objetivo de interiorizar os cursos. Alista de cidades pré-cadastradasjá mostra a dificuldade de levar mais formações médicas ao interior do País: de 42 municípios, 22 são do Sudeste. Somente duas cidades da Região Norte constam da relação. Um dos pré-requisitos para a seleção do MEC envolve a análise da infraestru-tura de saúde, como a presença de hospital de ensino ou unidade com potencial para esse uso, além de pelo menos cinco leitos I do Sistema Único de Saúde I (SUS) por aluno.

Sem nenhum hospital de ensino no Estado, os estudantes i de Medicina da Universidade Federal do Tocantins (UFT) usam a estrutura de saúde dos istemas estadual e municipal de Palmas para a formação prática. No internato rural, são usadas unidades públicas do interior. "As parcerias funcionam bem,mas a falta deumhospital escola é sentida na necessidadede mais preparo dos orientadores", diz Pedro Geovanny Pedreira, coordenador do curso, que existe há seis anos.

Desafios. A escassez de bons profissionais orientadores é um dos principais nós para os alunos semhospitais-escola. "É insuficiente para a quantidade de cursos abertos nos últimos anos", afirma o vice-presidente da Associação Brasileira de Educação Médica, Francisco Barbosa Neto. Além do atendimento, segundo ele, também deve haver preocupação com ensino, pesquisa, gestão e assistência nessas unidades de ensino.

Outra vantagem dos hospitais-escola é a possibilidade de treinar estudantes de outras áreas da saúde, como Enfermagem e Fisioterapia. "Ainda poderiam ser mais aproveitadas por alunos de Engenharia e Economia, por exemplo", aponta Barbosa Neto.

No começo do século passado, eram as Santas Casas que ! abrigavam docentes e alunos da

• Lacunas territoriais

3,9% dos 180 hospitais-escola credenciados no País ficam na Região Norte.

Já os Estados do Nordeste concentram 34 unidades hospitalares de ensino, 0 que corresponde a 18,9% do total

área de saúde. Nos anos seguintes, foram construídos hospi-: tais de ensino após as queixas de lideranças acadêmicas. "Mas houve poucos investimentos desde a década de 1970 e faltou planejamento estratégico ", critica Eduardo Cortes, recém-eleito diretor do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além dos municipais e estaduais, hoje mais de um terço dos hospitais de ensino é particular. Das 180 unidades, 47 são federais -boa parte entre as instituições de referência de seus Estados.

Indígenas ocupam área no entorno do Maracanã

Cerca de 40 indígenas e manifestantes ocuparam ontem de madrugada o terreno em que funcionou o Laboratório Nacional de Agropecuária, prédio desativado próximo do estádio do Maracanã, zona norte do Rio. Às 16I130,20 policiais militares do Batalhão de Choque retiraram os manifestantes. Segundo a Polícia Militar, a saída foi pacífica, mas manifestantes falaram que houve truculência por parte dos policiais. Os manifestantes afirmam que o terreno, destinado a obras da Copa, pertence aos índios.
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